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Pablo Brito


Twitter: @blogtvpitaco
Gaúcho de nascimento, cidadão do mundo por opção. Comunicação é meu vício, televisão é minha paixão. Compartilhar ideias é o nosso objetivo! Vamos conversar?

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Regina Casé, o "Esquenta" e a tolerância!


Foto: João Pedro

Crítico de televisão adora levar tudo um pouco a sério demais. Convenhamos, não estamos aqui salvando o mundo, nem descobrindo a cura de alguma doença. Se tem alguma coisa que não precisa ser levada tão a sério nessa vida é programa de televisão. Ok, nós sabemos que a TV tem um papel social e  importante na formação dos brasileiros, mas a raiz, o básico do meio é o show, é mídia, é lazer, é entretenimento acima de tudo. Por isso relaxe um pouco, eu tenho tentado fazer o mesmo.

O assunto hoje é o “Esquenta”, apresentado todo domingo na Globo, pela Regina Casé. Pense comigo: se você não gosta de samba, não gosta de humor, não gosta de uma boa conversa e de uma festa popular; além de ser um pouco rabugento você não deve gostar do “Esquenta”. Eu respeito e tudo bem, a TV Senado, o DVD, a internet tão aí pra isso, sem diversão você não fica. Agora se você for um pouco mais flexível, de uma forma ou de outra você já se sentiu parte de alguma das dezenas de tribos, guetos, ritmos e misturas que já passaram pelo programa.

Há quem a chame de “Chacrinha de saias”. Há quem diga que ela leva vantagem por ser amiga de muita gente famosa. Há até quem fale que não passa de atuação, que atrás das câmeras ela não é nada popular. Vivemos no país do “disse me disse”, do boato e da imaginação fértil. São muitas as dúvidas e cada um cria a sua própria certeza. A minha certeza é de que a Regina Casé é uma das nossas artistas mais criativas e inquietas. O histórico dela não me deixa mentir.  E isso faz com que ela ganhe de mim toda admiração possível.

Regina vem trilhando um caminho, que a cada nova ideia, ela tenta se aproximar e estreitar os laços entre povo e televisão. Agora ela se descobriu a ponte entre esses dois extremos. Por isso o “Esquenta” faz tanto sucesso: o povo que vê TV que mostra o povo. E se o que é mostrado ali não faz parte da minha rotina, da minha casa, do meu bairro, da minha cidade, dos meus gostos, pelo menos abre o horizonte para que eu conheça o meu país. E se não servir como exercício de identificação, que sirva como exercício de tolerância. E tolerância é algo que o mundo precisa cada vez mais, não concorda? Notou que quando conseguimos nos divertir com o todo,  a seriedade aparece nos detalhes, e a vida vai ficando mais fácil de ser levada; até mesmo para um crítico de televisão! 

 

30/01/2012 Escrito por: Pablo Brito 6 comentários


Os caminhos do "Muito+"


Agradecimento ao colega João Paulo DellSanto pela troca de ideias!

18/01/2012 Escrito por: Pablo Brito 21 comentários


Band começa 2012 acertando com "Mulheres Ricas"


Albert Camus dizia que o absurdo não está nem no homem e nem no mundo, mas sim na relação do homem com o mundo. Citar o autor de o O mito de Sísifo em uma crítica para um programa onde quase nenhuma das participantes deve conhecê-lo é o melhor paradoxo que encontrei pra escrever sobre o que vimos na estréia de ontem à noite: o reality “Mulheres Ricas”, na Band. Talvez qualquer passagem dos livros de Narcisa Tamborindeguy fosse mais cabível aqui.

O néctar do reality foi um amontoado de cenas que causavam estranheza, um pouco de enjôo, vergonha alheia e muitas situações que beiravam o absurdo, mas que por via das dúvidas, resolvemos levar como humor. “Mulheres Ricas” provocou boas risadas. Afinal não é todo dia que temos a oportunidade de ver na televisão uma mulher loira e alta, muito rica, comprando um avião de R$ 30 milhões, como quem compra um pedaço de carne no açougue. Val Machiori deve ganhar logo o posto da mais odiada das participantes. Além de ser a mais forçada, a história de que saiu do nada para a fortuna não emplacou. O programa ainda conta com Brunete Fraccaroli, uma arquiteta deslumbrada que queria ter sido a boneca Barbie, a ex-semterra-playboy-fantasia Débora Rodrigues, e a empresária Lydia Sayeg, que sufoca a filha com seus caprichos. E lógico, toda a loucura carismática da figura Narcisa Tamborindeguy.

O reality é ótimo, é um acerto da Band. Choca, causa polêmica, faz rir, é entretenimento puro. Fora que no fundo todos nós adoramos um pouco do luxo, mexe com o imaginário do telespectador. A direção podia ter evitado algumas cenas que causaram constrangimento, como o telefonema de Val para o marido sobre o preço do novo avião ou a cena do filho de Débora Rodrigues sendo acordado pela mãe.  Ficou claro que não tinha marido do outro lado da linha e que o menino não estava dormindo coisa nenhuma. É uma derrapada que quebra a empatia do público com o programa: “Opa isso é falso, é armado!”.  

“Mulheres Ricas” é uma mistura de tudo, tem luxo e lixo. Nada despretensioso, mas pode acabar virando opção para muitos desavisados nestas férias, que vão trocar para a Band nas noites de segunda-feira em busca do CQC. O programa assim como o cartão de crédito de suas participantes pode tudo, pode virar fenômeno, pode afundar, pode manter, mas não passa batido, e a Band começa o  ano acertando!

03/01/2012 Escrito por: Pablo Brito 16 comentários


Esperto é o Sílvio Santos!


Somos uma nação de saudosistas! Principalmente quando o assunto é televisão. A prova esta aí, todas as tardes na Globo, no SBT, no Viva e até na Record que pra não ficar atrás, já entrou na dança também. Estou falando de reprises. As infindáveis reprises. Quando o assunto é este, o SBT sai na frente de qualquer outra emissora, em TV aberta pelo menos. Não importa se você tem 35, 25 ou 15 anos, todas gerações já passaram pela repetição em massa de “Chaves”, “Chapolin”, e novelas mexicanas. A bola da vez é “Marimar”, da época de ouro das novelas mexicanas com a cinturinha de Thalía.

Reprises são boas, não é a toa que o Viva, nos canais fechados, faz o maior sucesso. É até saudável ter uma opção na TV paga que só passa reprises. O problema é quando isso vira norte, rumo na TV aberta, que luta por uma sobrevivência todos os dias nesse novo mundo de plataformas diferentes. O que eu to querendo dizer é que é ótimo ver uma novela boa no “Vale a pena ver de novo”, ou um episódio engraçado do “Chaves”, ou qualquer outra coisa do gênero. O que não pode acontecer é isso virar regra. E mais, virar regra de sucesso. Sim, porque “Marimar” anda deixando o SBT na liderança muitas vezes, e quando não, já cumpre o objetivo de fazer a emissora roubar o 2º lugar da Record.

Se você chegasse para alguém que não conhece os telespectadores brasileiros, que não acompanha os brasileiros nas redes sociais, e dissesse: em um mesmo horário temos três tipos de programas, um programa lançado recentemente, que conta histórias de vida das pessoas, uma sessão de filmes antigos, e uma reprise de novela mexicana, qual você acha que faz mais sucesso? Não vamos discutir aqui o mérito de qualidade de “Marcas da Vida” da Record, que era péssimo, mas que querendo ou não, era conteúdo novo, produzido atualmente, era dinheiro investido em roteiristas, diretores, câmeras, atores, etc... Silvio Santos já pagou “Marimar”, e de lá pra cá só vem lucrando. Não cria, não produz, não inventa.

Esperto é o patrão com certeza, que mesmo já tendo feito muita coisa pela televisão brasileira, nos seus derradeiros anos ainda manda o recado com o sucesso destas reprises. O Brasil se preocupou em fazer uma televisão de grandes proporções, mas esqueceu de formar telespectadores melhores. O saudosismo é saudável, mas a insensatez de barrar tudo que é novo, é preocupante. Se eu e você não mudarmos alguma coisa nisso tudo, em 2020 ainda seremos um país que faz biquinho para qualquer atração fora do eixo, e prefere rir da pedra de isopor do Chapolin Colorado. 

16/12/2011 Escrito por: Pablo Brito 17 comentários


A Globo resolveu sacudir a poeira!


Na semana em que Fátima Bernardes deixou a bancada do “Jornal Nacional” e a Globo divulgou o fim da “TV Globinho” em 2012, uma das grades mais inflexíveis e apertadas da televisão aberta brasileira, finalmente mudou. A Rede Globo e a sua programação, como bem disse o jornalista Rodrigo Viana, é um transatlântico que se move lentamente, todo movimento e direção são milimetricamente calculados antes de serem executados. Mudar uma grade que até então pode ser considerada sucesso não é tarefa fácil. Mas é tarefa necessária. Por mais que ainda mantenha a liderança, a Globo sofre com perdas pontuais na audiência que acabam derrubando ou então atrapalhando o desempenho de outras atrações que tinham tudo para dar certo.

As manhãs da emissora viraram um problema já há alguns anos.  Nesse quesito a Rede Record tem uma programação adulta muito melhor e mais atrativa, com o “Fala Brasil” e o “Hoje em Dia”. Para as crianças, o SBT tem tradição nesse assunto. A Globo ficava no meio do caminho, um pouco perdida entre os dois públicos e a queda foi inevitável. Ana Maria Braga nunca foi o problema, talvez a solução. O problema é não deixar ela ser o que  sempre foi: uma amiga da dona de casa na televisão. Se os livros e revistas de Ana Maria ainda são um sucesso editorial, é porque lá está a sua essência. O “Mais Você” virou uma outra atração, em que restou de sua origem apenas a Ana, o Louro José e a receita diária. É preciso evoluir, mas sem perder as raízes.

O “Bem Estar” ainda é muito recente, uma linguagem muito nova, e fala de assuntos até então muito distantes do público. Precisa de tempo para o público digerir. Acabar com o programa seria um desperdício de tempo e energia. Já a “TV Globinho” vem procurando sua identidade desde sempre. Passou por todos os tipos de linguagens e apresentadores. Os desenhos, que sempre foram o forte da Globo, já não agradam mais. É realmente um problema, que ninguém na emissora parecia ter vontade para mudar. A substituição pelo novo programa de Fátima Bernardes é mais do que acertada.

Falar aqui das manhãs da Globo é só um exemplo recente e que finalmente entrou em discussão na emissora. Vários outros pontos fracos atrapalham a grade, como “Malhação”, “TV Xuxa” e os domingos. Assim como a Record, o SBT e a Band também possuem uma grade que ajustada daria melhores resultados. É um assunto difícil de criticar e muito mais difícil de fazer. Envolve o trabalho de profissionais respeitados que fazem o melhor para o público, mas que  nem sempre dá certo. O maior mérito desta recente mudança na Globo é a abertura para o debate, para as mudanças e para a transformação. A emissora líder resolveu sacudir a poeira, as outras que façam o mesmo. 

 

08/12/2011 Escrito por: Pablo Brito 25 comentários


A lição de Boni: o popular bem feito!


No último sábado, em entrevista ao repórter Geneton Moraes Neto, no ótimo programa Globo News Dossiê, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, disse que o maior desafio de quem faz televisão é fazer o popular bem feito. O velho dilema de que ou se faz algo muito bom que não é sucesso, ou se faz algo popularesco e sem qualidade. Velho dilema, porque até hoje a televisão vive nessa dicotomia, embora o show de horrores de alguns anos atrás não exista mais, ainda temos uma audiência que se alimenta muitas vezes do sensacionalismo, da degradação humana ou do assistencialismo barato.

A entrevista de Boni deixou claro que na verdade, todos que fazem televisão hoje estão pouco atentos ao passado e com um pensamento muito ramificado para o futuro. Pensa-se em todas as plataformas que a televisão estará presente em alguns anos, e esquece-se do conteúdo. Conteúdo que ficou claro quando ele listou as 10 principais novelas das 21h. Na opinião dele, “Roque Santeiro” estava em primeiro lugar na sua lista, mas o próprio só chamou de obra-prima “Vale Tudo”. Querendo ou não um dos momentos mais inspirados da carreira de muita gente que fez a novela: de Gilberto Braga até Glória Pires, passando por Daniel Filho, Aguinaldo Silva e Regina Duarte.

A “Era Boni” na Globo acabou. A televisão hoje é muito maior e enfrenta muito mais concorrência pra seguir as ordens de apenas uma pessoa. A figura do “todo poderoso” entrará para a história junto com Boni. Mas existe uma lição a se tirar do trabalho dessa figura que ajudou a moldar a televisão brasileira: a eterna busca de qualidade. E qualidade é uma via de mão dupla. Emissoras são empresas, que visam o lucro, e o lucro é medido pela audiência. E audiência só se ganha ou perde, quando lembramos de usar o controle remoto ao lado. O caminho para o popular bem feito passa por dentro da sua casa. E já passou da hora de cada telespectador criar o seu próprio padrão de qualidade. 

28/11/2011 Escrito por: Pablo Brito 16 comentários


Os fieis escudeiros de Aguinaldo Silva


Crô Valério (Marcelo Serrado) foi o grande hit de “Fina Estampa” na semana que passou. A interpretação cada vez mais precisa e inspirada tem feito de Crô um dos melhores tipos criados por Aguinaldo Silva para esta novela.

Mas não é de hoje que o autor recorre ao relacionamento de fidelidade entre patroas e empregados. Todos guardam as mesmas características: veneram a patroa, geralmente mulheres de personalidade forte, e são extremamente fiéis às suas “Rainhas do Nilo”.

 

Em “A Indomada” (1997), a Juíza Mirandinha, interpretada por Betty Faria, vivia em pé de guerra com o prefeito Pitiguari (Paulo Betti), e contava com seu eficiente secretário Egídio para colocar toda Greenville “nos rigores da lei”. Vivido por Licurgo Spíndola, Egídio além de um funcionário prestativo e tímido, nutria uma paixão platônica pela juíza. No final da novela, os dois acabam juntos.

 

Já em “Suave Veneno” (1999), embora não tenhamos a figura da patroa, era impossível deixar Uálber e Edilberto fora desta lista. O vidente interpretado por Diogo Vilela era totalmente do bem, mas vivia se metendo em confusão para combater Marcelo Barone (Fúlvio Stefanini) que era a personificação do demônio. Ao seu lado na luta, Luis Carlos Tourinho, o eterno Piu Piu, é quem dava vida para Edilberto, que vivia tropeçando e soltando seu bordão “Abalou Bangu!”.

 

Em “Porto dos Milagres” (2001), a perua da vez de Aguinaldo era a fogosa Amapola, de Zezé Polessa. Com seus cabelos vermelhos, o núcleo foi um grande sucesso. Desmedida e sem pudores, a perua também não aprovava o romance do filho Alfredo Henrique (Miguel Thiré) com uma filha de pescadores (Barbara Borges). Amapola era patroa de Venâncio, o primeiro grande destaque de Tadeu Mello na televisão. Com sua voz inconfundível e o sotaque nordestino, Venâncio fazia o público rir cada vez que soltava o sonoro e estridente “Madame”.

 

Nesta mesma novela, um outro faz tudo, só que sem afetações, dava conta das maldades de sua patroa. A inesquecível Adma (Cássia Kiss), tinha como cúmplice dos seus crimes o capataz Eriberto (José de Abreu). Além do respeito e fidelidade, o capanga também era o amante apaixonado da vilã que matava todos com o veneno no anel.

 

No sucessão “Senhora do Destino”, também não faltaram fieis escudeiros. Glória Menezes tinha nas mãos uma personagem muito importante, Laura, a Baronesa de Bonsucesso, seria a responsável por uma das tramas paralelas mais importantes da novela, que iria falar da doença de Alzheimer. Com o afastamento de Raul Cortez por problemas de saúde, o mordomo Alfred (Ítalo Rossi) ganhou destaque na novela, e passou a ser o grande parceiro de cena de Glória Menezes. Alfred era um legítimo mordomo inglês, que usou de toda dedicação e carinho para cuidar da Baronesa.



Da zona sul para a baixada fluminense, Ubiracy (Luiz Henrique Nogueira), o carnavalesco da Unidos de Vila São Miguel, tinha como musa inspiradora Nalva (Tânia Khalil). Ubiracy fazia de tudo por Nalva, que era apaixonada pelo marido do irmão (Leonardo Vieira). Durante a novela o personagem foi crescendo, e garantindo boas e engraçadas cenas ao lado de Giovanni Improtta (José Wilker). 

16/11/2011 Escrito por: Pablo Brito 0 comentário


A ousadia elegante do "Viva Voz"


  Quem não gosta de uma boa história de bastidores que atire a primeira pedra. Todos nós, vez ou outra, uns mais outros menos, somos ávidos pela vida alheia; ainda mais se for a de uma pessoa famosa. Não é à toa que há muito tempo consumimos entrevistas, sejam elas na televisão, no jornal, na revista, na rádio ou na internet. O desejo de conhecer o que está por trás daquela pessoa que faz sucesso é como um atenuante do glamour, a gente chama o famoso para perto, fica íntimo. É como se todos nós sentássemos num enorme e comunitário sofá da Hebe.

O problema é que até então, conhecer um artista através de uma entrevista era algo feito de apenas dois pontos de vista; ou do entrevistador ou do entrevistado. O primeiro faz uma pesquisa prévia, disseca a carreira, e busca os pontos que acredita que vão render uma boa conversa. O segundo já vai preparado, incorporado em outro personagem que não ele mesmo, controlado para ser politicamente correto, engraçado, simpático e ainda divulgar o seu mais recente trabalho. Querendo ou não é um formato engessado, rígido. Fica aquela sensação de que faltou alguma coisa. Ficava. Se você quer realmente ver um programa que mostre o lado B de uma celebridade, não pode perder o “Viva Voz” com a Sarah Oliveira, toda quarta-feira, no GNT.

No programa, Sarah inverte o olhar. É um verdadeiro jogo de espelhos. O povo nas locações (muito criativas por sinal) fala como aquele artista se comportaria em tal situação, o artista vê o seu reflexo na sociedade, e tem a possibilidade de dizer se a imagem está ou não distorcida. A própria apresentadora também entra pontualmente com suas opiniões. E o telespectador em casa, fica brincando no jogo dos acertos. São muitas visões particulares de uma pessoa pública. E isso é tão libertador, tão novo e ao mesmo tempo casual. Os convidados sempre escolhidos a dedo, a simpatia de Sarah e o tempo curtíssimo de duração se completam. É entretenimento puro.

No último episódio, uma lojista ao falar das famosas minissaias de Wanderléa, disse que a cantora não tinha culpa se esta peça de vestuário tinha tornado-se vulgar, e a ternurinha concordou:  Sempre procurei ousar, mas de forma elegante. E é isso que mostra o “Viva Voz”, a intimidade com limites, sacia a curiosidade, mas não intoxica. 


10/11/2011 Escrito por: Pablo Brito 26 comentários


"Força Tarefa" volta muito bem na sua 3ª temporada!


  2011 não foi um ano de grandes séries na Globo. Quando comparamos com 2010 então, que teve uma profusão de boas e criativas histórias, as produções deste ano ficam devendo e muito. “Divã” foi boa, mas curta demais, o drama que podia se estender teve que ser interrompido pra Lília Cabral protagonizar “Fina Estampa”. “Macho Man” não emplacou e também não foi um dos momentos mais inspirados de Alexandre Machado e Fernanda Young. A trágica “Batendo Ponto” não vale nem a lembrança. Até agora, “Tapas e Beijos” e “A Mulher Invisível” tinham sido os dois grandes acertos do ano.

Até agora, porque ontem tivemos a volta de “Força Tarefa”, que só vem melhorando. É uma série que cresce com o tempo e isso fica muito claro a cada nova temporada. O episódio de estréia da 3ª temporada foi muito bom. O texto está muito mais apurado. No começo a série parecia fruto de uma onda de produtos televisivos e cinematográficos com temática policial e violência, depois do sucesso retumbante de Tropa de Elite. Já na 2ª temporada, o drama do Tenente Wilson se sobressaiu às cenas de aventuras, perseguições e tiroteio.

No episódio de ontem, “Força Tarefa” conseguiu reunir tudo com muita harmonia. O drama do protagonista ainda é o pano de fundo para história, mas os elementos básicos estão todos lá. É uma série policial, mas em plena forma e com diálogos adultos. Desde a crítica social da ocupação do Morro do Alemão no Rio de Janeiro, por policiais corruptos, até a fácil formação de caráter dentro de uma penitenciária. O elenco não tem altos e baixos, é uniforme. Murilo Benício já conhece o personagem, e isso pra ele que é um ator que precisa de tempo para compor seus personagens, é um ponto a favor. E José Alvarenga Jr segue no posto de melhor diretor de séries no Brasil.

Sou um defensor do formato, por mais que seja apaixonado por novelas, acredito fielmente que as séries são essenciais pro avanço da teledramaturgia, e principalmente, para a formação de um novo público mais culto e capaz de assimilar novos conceitos. Gosto muito de relaxar e me divertir com “Tapas e Beijos” e “A Grande Família”, mas um bom drama é sempre indispensável. “Força Tarefa” mostrou ontem que em breve, não precisaremos recorrer aos seriados americanos para encontrar uma boa história. 

 

04/11/2011 Escrito por: Pablo Brito 2 comentários


Ana Hickmann: a grande estrela da Record


Linda, loira, alta e ex-modelo. Estes são os atributos físicos essenciais da descrição de um estereótipo que estamos muito acostumados no Brasil. Geralmente estas mulheres estão por aí, entre os canais de nossa televisão, permeando uma série de programas sobre beleza e outras coisas mais, nem sempre com muito talento. Mas este definitivamente, não é o perfil em que se encaixa Ana Hickmann. A apresentadora do “Tudo é Possível” da Record, embora não tenha feito o caminho inverso, já que também começou na televisão falando sobre moda e beleza, é hoje uma das maiores apostas da Record. E em uma emissora onde os grandes talentos são em sua maioria homens (Gugu, Rodrigo Faro, Mion), Ana Hickmann já pode ser considerada a maior estrela do canal atualmente.

Foi um desafio muito grande no começo, acostumada à dinâmica do “Hoje em Dia” onde tinha sempre mais três companheiros para segurar a atração, Ana foi se soltando aos poucos. Não demorou muito, e em pouco tempo lá estava ela livre e totalmente à vontade no cenário, com a direção e com o público, e ainda por cima, desfilando toda aquela beleza no vídeo. A Record viu ali a chance de construir a sua própria estrela.

O começo, como quase tudo, foi de tropeços. No ao vivo, ainda era mais complicado. Mas aí entrou a inteligência de Hickmann a seu favor. Geralmente quando um apresentador em início de carreira precisa comandar um programa próprio, no horário mais concorrido da semana (tardes de domingo), e ainda por cima, substituindo Eliana, o destino mais comum é mergulhar no aprendizado. O profissional vai buscar a técnica, e o apoio na sua direção e produção. Ana Hickmann fez justamente o contrário, buscou se firmar com o telespectador e com a platéia. A sua segurança foi sendo criada a partir da relação íntima que criou com o público.

Não é a toa que hoje comanda quadros de reality show, seus produtos vendem como água, e até sua casa foi aberta para o programa. Ela sabe que tem talento, sabe que é bonita e simpática. O resto vem com o tempo. O mais importante ela já conseguiu, tem o povo como aliado. Pode errar. Tem acertado muito mais do que errado, essa é a verdade. E principalmente, conseguiu mesmo sendo uma mulher viajada e rica, tornar-se alguém popular, isso é empatia. A Record agradece. E que se cuide e valorize ainda mais sua estrela, porque a concorrência, com certeza, está de olho em Ana Hickmann. 

31/10/2011 Escrito por: Pablo Brito 16 comentários


A indispensável Regina Duarte!


O Canal Viva é realmente um dos grandes sucessos da TV por assinatura. Logo na sua estreia as reprises de "Sai de Baixo", "Por Amor" e "Quatro por Quatro" viraram hits na internet e garantiram uma ótima audiência para o novo canal. Mas nada se compara ao fenômeno que foi a reprise de "Vale Tudo". O repeteco da novela viralizou nas redes sociais e a novela virou pauta em vários jornais, com entrevistas do elenco, e a novamente cultuada Odete Roitmann.

O que realmente chama a atenção em todas as reprises apresentadas pelo Viva até agora é a história da televisão. O quanto a Globo foi capaz de produzir coisas que ficaram marcadas no tempo e no coração dos telespectadores. E o quanto deixamos de valorizar algumas das pessoas responsáveis por isso. Regina Duarte é uma delas. A atriz foi protagonista de quatro das principais reprises do canal, fez a Helena de "Por Amor", a Raquel de "Vale Tudo", "Chiquinha Gonzaga" e atualmente é a inesquecível Viúva Porcina de “Roque Santeiro”.

Regina é um patrimônio da nossa televisão. É por isso que nesta última semana de “O Astro”, não poderia deixar de destacar o trabalho certeiro e na medida da atriz como Clô Hayalla. Provavelmente, a personagem mais marcante do remake. Vários críticos já explicaram os motivos da interpretação exagerada da atriz que condizem com o tom nada realista do texto de “O Astro”. Ela mesma explicou isso em uma recente e ótima entrevista ao jornalista Jaime Cimino, do UOL.

Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro deveriam coroar a participação dela na novela, transformando Clô na assassina de Salomão Hayalla. A Regina que já foi a namoradinha do Brasil, não é uma atriz com recursos teatrais e ilimitados como Fernanda Montenegro. Muito pelo contrário, é adepta das caras e bocas, dos trejeitos, do texto assertivo. O que a define com um estilo inconfundível, e ter estilo em interpretação é uma coisa tão rara hoje em dia, que autores e diretores precisam ter a consciência de que uma atriz como Regina Duarte é indispensável na nossa televisão.

26/10/2011 Escrito por: Pablo Brito 25 comentários


Escrever novela é uma das profissões mais arriscadas da televisão!


Quando Aguinaldo Silva adiantou que em “Fina Estampa” retomaria o velho e bom estilo novelão, como fez em “Senhora do Destino”, esqueceu de nos avisar que os novelões também evoluem. Se em 2004, a trama da retirante nordestina que tinha sua filha roubada logo que chegava à cidade grande, conseguiu segurar os nove meses de novela, em 2011, a história da mãe que é negada pelo filho, por ser masculinizada e pobre, foi combustível para no máximo 50 capítulos. Não que a trama tenha se esvaziado, muito pelo contrário, ainda vai dar pano pra manga, mas sozinho, o conflito Griselda x Antenor já não segura “Fina Estampa”.

Esperto e com experiência de sobra, Aguinaldo Silva já desviou o foco da novela para a vilã Tereza Cristina. E quando digo esperto, quero dizer que com isso, ele troca apenas a personagem, já que a raiz do problema segue a mesma. Tereza Cristina segue sendo a representação da problemática entre pais e filhos. Seu segredo, guardado por Tia Íris (Eva Wilma), fica cada vez mais evidente que tem algo a ver com seus pais. No capítulo do último sábado, a “Rainha do Nilo”, bateu na filha Patrícia, em uma seqüência que mostrou a faceta totalmente insana da personagem.


Quando Tereza Cristina diz que vê a imagem do Pereirão no espelho, está mais do que certa. Mais do que dois opostos, os dois caminhos das personagens mostram que apesar das diferenças de caráter, elas se assemelham nos intrínsecos dilemas das mães. Ao contrário da sofrida e soberana Maria do Carmo de “Senhora do Destino”, Griselda e Tereza Cristina são duas mães solitárias e inseguras. Com seus segredos e passados, as duas querem a mesma coisa: aceitação. E que isso venha principalmente de quem elas geraram.

Por isso ainda é de se estranhar que alguns críticos reclamem que a carga dramática em “Fina Estampa” é leve demais. Que tudo é dramalhão para fazer chorar. Embora alguns núcleos da novela, precisem mesmo de um ajuste para o horário, principalmente a pensão da Zambeze, o núcleo principal da novela é sim, uma ótima história. A diferença é que o público mudou nestes últimos 7 anos, e o novelão hoje em dia, precisa mais do que um grande argumento por trás. O novelão de 2011 precisa ser tudo ao mesmo tempo, os autores deveriam ganhar dobrado, porque para alcançar o mínimo de sucesso precisam escrever três ou quatro novelas em uma só. E nem sempre dá certo. Escrever novela é uma das profissões mais arriscadas da televisão atualmente.  

 

24/10/2011 Escrito por: Pablo Brito 25 comentários


Seja muito bem-vinda "Aquele Beijo"!


Se tem uma coisa que é sempre muito difícil de encontrar em novelas das 19h é texto inteligente. Com a premissa de trabalhar para um público muito heterogêneo e que gosta de novelas leves e bem humoradas, alguns autores preferem apostar no texto sem grandes pretensões. Mais difícil ainda é encontrar um texto leve, inteligente e popular. Isso poucos conseguem. Depois de meses com o tatibitati de Walcyr Carrasco, os saudosos de “Ti-ti-ti” e de Maria Adelaide Amaral, se depararam agora pouco com o primeiro capítulo de “Aquele Beijo” e com um Miguel Falabella mais do que inspirado.

Ágil, leve e colorida, “Aquele Beijo” não é só graça. Tem uma essência que emociona por trás como toda boa comédia romântica. Isso fica claro nos personagens de Giovanna Antonelli, Sheron Menezes. Tem a graça fácil, certeira e popular de Cláudia Jimenez, Luis Salém e Elisângela. E tem os talentos que garantem consistência para a história como Marília Pêra, Nívea Maria, Fernanda Souza e Herson Capri. Alguns elementos aparecem logo de cara desajustados. Ricardo Pereira não parece ter carisma suficiente para segurar um protagonista, principalmente ao lado de Antonelli, a mocinha de todas a mocinhas da Globo. Fiuk ao lado de Bruna Marquezine é um ator, ao lado de Juliana Didone é outro bem pior, nada que Cininha de Paula não resolva com a direção, carisma não falta pro menino.

Falabella tem suas raízes no subúrbio. Mas sua essência é uma mistura. Já viu e fez muita coisa na vida. Depois de um grande sucesso como “Toma Lá Dá Cá” e um grande fracasso como “Negócio da China”, apostar na nova novela do artista multimídia era uma verdadeira incógnita. Feliz de quem se arriscou. Amparado com grandes parceiros na direção e com um elenco repleto de amigos, o autor parece ter retomado o prazer de escrever, e quando ele trabalha com tesão, quem ganha é o público. Seja muito bem-vinda “Aquele Beijo”!

17/10/2011 Escrito por: Pablo Brito 25 comentários


"A Vida da Gente" é uma grata surpresa!


Pesquisas e teorias afirmam que o horário das 18h na televisão é dominado pelas donas de casa. Devem estar certos, mesmo que isso não possa ser generalizado. Quando “A Vida da Gente” começou, a sensação de mudança brusca de velocidade fez que com que os primeiros capítulos da novela causassem estranheza. Acostumados a um faroeste e a uma briga de gato e rato bastante movimentada de “Cordel Encantado”, o público se deparou de repente com cenas longas, textos realistas e lágrimas, muitas lágrimas.

Como bem lembrado por outros críticos, a novela de Lícia Manzo tem uma estrutura que muito se assemelha a séries: elenco reduzido, uma grande trama central, poucas e boas tramas paralelas e personagens muito bem construídos. A própria autora já tinha realizado esta mistura em “Tudo novo de novo”, série de 2009. A diferença está no status de grande produção que a novela ganhou. Com direção do sempre competente Jayme Monjardim, e um elenco repleto de grandes nomes, a novela é uma reunião de acertos.

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O texto de Lícia é predominantemente feminino, a trama central é conduzida por duas filhas, a mãe egoísta e a avó bondosa. As melhores tramas paralelas também são femininas: a treinadora durona, a filha rejeitada, a personal trainer golpista... Todas são figuras moldadas com riqueza de detalhes no texto da autora. Construir bem personagens é um atributo essencial para conquistar o público feminino. E para isso é preciso boas atrizes que saibam trabalhar com as sutilezas, e isso não falta na novela. No capítulo de ontem, Marjorie Estiano, Nicette Bruno e Ana Beatriz Nogueira, foram responsáveis por cenas carregadas de emoção e pelo melhor capítulo da trama até agora. Não foi à toa que bateu o recorde de audiência, nas prévias do Ibope.

É difícil acreditar em guerra dos sexos, de classes, de estilos quando se fala em público de novela. Novela é boa ou é ruim. “A Vida da Gente” é boa, muito boa, mesmo que seja feita para donas de casa. Não é nova. Pelo contrário, é construída em cima de dilemas que já vimos muitas outras vezes. Mas é bem feita, tem consistência nos diálogos, e principalmente fôlego. Vai passar por grandes desafios, como o horário de verão, férias escolares e uma “Malhação” entregando cada vez com índices mais baixos. Mas seu resultado final pode ser bom, e fazer com que Lícia Manzo entre para o time de novos autores de novelas da Globo. E isso sim, já seria uma grande vitória! 

14/10/2011 Escrito por: Pablo Brito 16 comentários


Rafinha é, ou era, a pessoa mais incoerente da televisão!


Preciso de um guia espiritual! Urgente! Preciso de alguém que eu acredite cegamente pra moldar minha opinião a respeito do caso "Rafinha" Bastos. Pode escolher a que você quiser, e me explique, e acredite: se eu realmente achar algum fundamento nela, pego emprestada pra mim. A sensação de que estamos sendo enganados em toda essa história é tão real, que a lógica se perdeu. Eu achei que a saída era não colocar mais lenha na fogueira, pra que ela apagasse logo. Mas isso não vai acontecer tão cedo.

Existem três fatores muito diferentes, e totalmente inerentes um ao outro, neste caso todo. Uma é a pessoa “Rafinha” Bastos. Escrevo assim, porque provavelmente se eu escrever Rafael Bastos você não vai ligar o nome à pessoa. Aceitar o codinome infantil é como querer justificar todos seus atos como molecagem. Piada boa desperta o riso porque quebra a lógica do pensamento. As piadas dele nunca me fizeram rir, porque são óbvias, esperadas:  ou tudo vai pro lado do sexo ou pro pejorativo. Mas isso é gosto, você não é obrigado a ver, seguir, ir aos seus shows. Não gosto do “Rafinha”, não consumo “Rafinha”, não compro nada que “Rafinha” venda, e pronto, acompanho “Rafinha” apenas profissionalmente. E se você faz o contrário, ótimo, cada um faz o que quer da vida.

O outro fator é o CQC, a direção, a Band, Marcelo Tas, Marco Luque, demissão, cortes e tudo mais que envolve a história. Até que ponto estamos comprando o gato pela lebre. Quero um “Proteste Já” nos bastidores do CQC. Quais opiniões ali estão sendo verdadeiras? Quanto custa ou deixa de custar um afastamento? Dou o benefício da dúvida pra todos os envolvidos, espero que realmente estejam sendo sinceros. Mas a gente sabe que tudo que envolve um programa de televisão e uma polêmica tão grande como a que foi criada, tem caminhos muito mais tortuosos do que a gente possa imaginar.

O terceiro fator é a discussão do humor. Humor não se discute, se acha graça. Isso é o mais simples de tudo. Se estamos falando, polemizando, é porque não foi humor. Pode ter sido desde uma declaração leviana até algo programado, mas piada não foi. E tudo vai sempre depender da bolsa de valores humanos que estamos trabalhando hoje. Se o respeito estiver em alta cotação é #forarafinha, e se estiver em baixa é #voltarafinha. Escrevendo tudo isso, já consigo ter uma opinião pelo menos: Rafinha é (ou era) a pessoa mais incoerente da televisão. Se tudo que ele fala na segunda-feira, na bancada do CQC, é pra ser tratado como piada; como posso levar a sério o que ele diz na terça-feira em “A Liga”, quando faz pinta de jornalista sério. Qual dos dois que tá valendo?  

11/10/2011 Escrito por: Pablo Brito 25 comentários


Eliana chegou lá!


Eliana é realmente surpreendente. Alguns anos atrás apostava-se em qual momento ela entraria pro anonimato, junto com outras apresentadoras infantis que não vingaram. O seleto grupo composto por Xuxa e Angélica, não era pra qualquer loira.  Mas a moça, que no começo brincava com um computador animado e ensinava a fazer artesanato pra crianças, foi crescendo, e hoje é uma das grandes armas do SBT para a acirrada disputa de audiência aos domingos. E crescer foi o que de mais certo ela fez.

A apresentadora subiu cada degrau, devagar, sem muita pressa e realmente obstinada. Sabia onde queria chegar. Quando trocou o SBT pela Record, seu público ainda era infantil, não tanto como o do “Bom Dia & Cia”, mas ainda predominantemente infantil. Esperta, e sempre muito bem assessorada, o programa contava com brincadeiras e personagens inesquecíveis como Chiquinho e Pitoco. E assim ela ia se distanciando da figura de animadora, pra se fixar como apresentadora. Eliana soube respeitar seus fãs, soube crescer com eles.

Passou por todas as fases que eram de se esperar de alguém que está desde muito nova na televisão. Acompanhamos quase todos os seus relacionamentos. E ela sempre muito firme, sempre muito discreta, e principalmente sempre muito responsável com seu trabalho. Em uma cartada de mestre, Silvio Santos trouxe Eliana de volta para o SBT. E como toda boa filha que retorna, ela quis mostrar seu valor. Com uma direção competente, e um ótimo horário, ela já conquistou seu público nas tardes de domingo. A audiência tem correspondido.

Eliana voltou a comandar seu programa ontem, após a licença-maternidade. Estava feliz, plena, transparecia isso na voz, no olhar e no carinho que retribuía pra todo mundo. Eliana vai amadurecendo. Ontem, deixou isso muito claro na entrevista que deu para Marília Gabriela. É agora uma apresentadora vista por toda família, seu público não tem mais idade. Ela chegou lá. 

 

10/10/2011 Escrito por: Pablo Brito 15 comentários


Falta coragem para Walcyr Carrasco


Se Walcyr Carrasco e Aguinaldo Silva andam brigando, elogiar um é praticamente assinar o atestado que não gosta do outro. No texto de estreia deste blog “Fina Estampa” foi altamente elogiada. No texto de hoje vou dizer o que me incomoda em “Morde & Assopra”. Então se você, leitor mais apaixonado, achar que isso significa apenas uma predileção por autores, peço que pare agora e nem siga lendo. Vai ser melhor pra todo mundo. Agora se você é da turma que ter opinião significa apenas ter opinião e nada mais, vem comigo.

Quando vejo uma novela, uma série ou um filme, a única coisa que eu não gosto é que me façam de bobo. E isso não significa, por exemplo, que eu não concorde com um carro voando, ou um menino que vira lobo. Sou muito fã de histórias de realismo fantástico. Aliás, em “Morde & Assopra”, isso passa batido. Desde o começo apontaram que o erro estava no robô falante e nos dinossauros extintos que só apareciam em sonhos da protagonista. Isso nunca foi o problema. O desencaixe da história esteve sempre na tentativa que Walcyr Carrasco tem em todo começo das suas histórias, de querer fazer algo diferente.

É só analisar os primeiros capítulos e o de ontem que você vai ver que é outra novela. E é sempre assim com Carrasco. Da metade da novela até o final, depois que todos personagens já foram apresentados e assimilados pelo público, e que já se sabe quem faz sucesso ou não, a novela vira um amontoado de cenas de casamentos, jantares, encontros, desfiles, bailes, shows, inaugurações, tudo para que todo elenco possa ser reunido. E aí é o feijão com arroz básico do autor, uma pérola pra um, outra pra outro, um bate-rebate de falas que envolvem geralmente uma palavra pejorativa (velha, avarento, gorda, enrugada) e algum nome de animal (vespa, abelha, burro, cavalona). Isso sem falar na overdose de cenas que não levam a lugar algum de personagens que caíram na boca do povo. André Gonçalves, Cássia Kiss e Vera Mancini devem estar exaustos

Walcyr Carrasco não me faz de bobo quando coloca uma robô salvando uma humana em um julgamento. Isso é louco, mas é condizente com a história. Ele me faz de bobo quando de uma hora pra outra muda o caráter de uma personagem. Quando falta história e a novela precisa ser enxertada com esquetes e cenas de personagem falando sozinho. Quando tudo não passa de bordões, sotaques carregados e interpretações exageradas. Ele me faz de bobo quando não exercita sua originalidade como autor, e em troca de audiência faz o que já sabe fazer há anos. São poucos os autores que arriscam e levam nas costas uma novela sem audiência.  Muitos já fizeram isso pra tentar um novo estilo, alguns foram bem sucedidos. Falta coragem para Walcyr Carrasco. 

05/10/2011 Escrito por: Pablo Brito 0 comentário


Rebelde, Malhação, Legendários, Fina Estampa e CQC - as rapidinhas de segunda-feira na televisão!


“Rebelde” da Record faz mais barulho do que audiência. A novela empacou. É chata. Ver um capítulo inteiro é só para os fortes de estômago. Nos bastidores é factóide em cima de factóide. Um namorou com a outra, que separou daquele, que já está com aquela. E nada ajuda. Segue sendo um sucesso de fogo brando. O remake da versão original mexicana exibida no SBT vai com certeza dar o que falar ainda, só que por outros motivos!

A Globo precisa urgente ajustar o horário da tarde. Ainda não dá pra saber se o erro está na reprise de “Mulheres de Areia” ou na nova “Malhação”, está muito no começo, tanto da reprise, quanto da nova fase da novelinha. O fato é que os números vêm caindo. Pega pela frente “A Vida da Gente” também começando. A  audiência só começa a subir com “Morde & Assopra”. Por enquanto tudo bem, mas a novela de Walcyr Carrasco acaba daqui algumas semanas, e aí vai ficar difícil pro "Jornal Nacional" e “Fina Estampa” segurarem o rojão.

O “Vale a Pena ver Direito” do "Legendários" é de longe a melhor atração do programa.  Quando estamos em época de “A Fazenda” então fica tudo muito melhor. É muita sagacidade de Marcos Mion nos comentários. No último sábado, ele tava inspirado nos comentários sobre o concurso de dublagens que aconteceu no reality.


Eva Wilma vai com toda certeza do mundo fazer a diferença em “Fina Estampa”. A chegada da Tia Íris nos últimos capítulos já mostrou que a dobradinha com Torloni vai ser ótima. Uma velha conhecida dos textos de Aguinaldo Silva, a atriz é daquelas raridades da televisão que já chegam com total controle sobre a personagem e dominando as cenas. No capítulo de hoje promete dar mais um show com a invasão da festa de Teresa Cristina. Hoje é dia de talento, bebê!

Hoje, Rafinha Bastos sai da bancada do CQC. Monica Iozzi o substituirá. O caso Rafinha gera um monte de discussões hipócritas e sem sentido sobre humor, responsabilidade e limites. O caso Rafinha, na minha opinião revela apenas aquilo que já está claro há algum tempo: a falta de criatividade que assola o "CQC" desde o ano passado. As mesmas matérias, as mesmas polêmicas e as mesmas piadas. O programa que fez história, revolucionou, ganhou o público e a crítica agora caminha pra um destino trágico onde a pressão pública fala mais alto que a criatividade. É hora de repensar. Ainda dá tempo de salvar. 

03/10/2011 Escrito por: Pablo Brito 0 comentário


Falta uma premiação séria de televisão no Brasil!


O Jornal Nacional ganhou o prêmio Emmy Internacional, na categoria notícia. Foi pela cobertura da ocupação do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, no ano passado. O prêmio é considerado o Oscar da televisão mundial. Estas e outras afirmações foram repetidas pela própria Globo e por toda a imprensa durante esta semana. Houve também gente gritando e reclamando que o prêmio não valia nada, que a Globo patrocina a premiação, e que tudo não passou de um prêmio de cartas marcadas. Aquele sentimento misterioso que as pessoas têm de que tudo na televisão é armação e que sempre aparece em momentos assim. O Emmy Internacional pode não ser o “Oscar da Televisão”, mas não dá pra tirar o mérito da organização da premiação e muito menos da equipe do JN.

Com setembro próximo de se despedir, logo sites, jornais, revistas e blogs de televisão começam as votações para eleger os melhores do ano. Cada um puxando a sardinha para o que lhe convém. As premiações da televisão sempre chamaram atenção, mas ultimamente falta um prêmio com organização séria e votos realmente válidos. O mais próximo disso é o Prêmio Contigo e mesmo assim, a votação popular às vezes estraga a festa.

Na nossa turma, dos blogueiros, a coisa é ainda pior. Tem blog que faz lista dos melhores do ano desde agosto. E não tem choro, a opinião pessoal é que manda nas listas. Enquanto isso a gente segue votando! Os organizadores brasileiros precisam entender que prêmio não é enquete, não é pesquisa, não é retrato de um momento. Prêmio é reconhecimento, é análise, é gente especializada falando do que sabe e do que já fez. Ninguém precisa do selo de participação popular para ganhar credibilidade. O Oscar e o Emmy fazem isso há anos e são respeitados. Falta um prêmio no Brasil que tenha júri composto por autores, atores, diretores, roteiristas, iluminadores, técnicos, figurinistas, maquiadores, diretores de arte, jornalistas, publicitários, pessoas que enxerguem a televisão como objeto gerador de cultura e que tenham relação com a mesma.

A condição básica para alguém votar ou montar uma lista de indicados é assistir tudo e todos. É isentar-se da sua opinião pessoal e enxergar o lado bom e o lado ruim de qualquer produção. E ganha quem tiver mais coisas boas. Caso contrário é um monte de listas e votações particulares, onde ganha quem eu gosto e quem tem muitos fãs para gastar o dedo no mouse!

30/09/2011 Escrito por: Pablo Brito 37 comentários


Trilhas sonoras requentadas


Trilha sonora para televisão é sempre um assunto delicado. As canções que vão servir de pano de fundo pra história de uma novela ou de um seriado por meses, passam por um processo muito detalhista, afinal, aquela música vai tocar várias vezes. Música de abertura então é mais complicado ainda, é a única de toda trilha que é executada quase que por inteiro, 6 vezes por semana. Trilha sonora é um prato cheio pra qualquer diretor, uma boa música ajuda qualquer cena a ficar ótima.

Como na moda, as técnicas de televisão e de cinema geralmente gostam de revisitar o passado, transformando um pouco ali, ajustando um pouco aqui e criando algo novo. O que era velho agora é referencial. Na trilha sonora não é diferente. Seguindo uma corrente dos seriados americanos, as produções brasileiras começaram a usar músicas antigas, e às vezes nem tão antigas, em suas trilhas. O saudosismo que isso desperta no telespectador mais atento empolga e ajuda a alavancar a história. Vai dizer que você não segue cantando junto o refrão de “Easy like Sunday morning” enquanto Herculano e Amanda vão se beijando em “O Astro”?

Em algumas produções como o “O Astro”, esse tipo de música funciona muito. A novela por ser um remake, aceita quase todo tipo de referencial. Em outras produções isso vai muito bem também. “Cordel Encantado” tinha uma trilha recheada de clássicos como Carcará e Maracatu Atômico. Em “Tapas e Beijos” a versão do sucesso de Leandro e Leonardo dão o tom e o nome da série, isso sem falar em Mandrake e os cubanos de Skank, que pra qualquer adolescente do final do anos 90 é uma lembrança e tanto.

Na última segunda-feira começou “A Vida da Gente”, com várias músicas antigas em sua trilha, a começar pelo tema de abertura com Oração ao Tempo regravada por Maria Gadú. A abertura é o de menos, geralmente a Globo aposta em algum grande sucesso ou no instrumental. Mas novelas contemporâneas pedem uma trilha recheada de hits atuais e de novas apostas, caso contrário a identificação não acontece. Histórias que não nos apresentam uma janela de tempo pedem músicas atuais, senão fica tudo com gosto de requentado. Se a história não empolga e a trilha não ajuda fica mais difícil ainda construir um sucesso. E música boa no Brasil e no mundo é o que não falta, é só procurar! 

28/09/2011 Escrito por: Pablo Brito 17 comentários
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