“Cidade Alerta”, uma equipe desorientada e a arte de fazer rir
Equipe do programa de Reinaldo Gottino anda nervosinha…
Reinaldo Gottino
O “Cidade Alerta” encontra-se numa crise sem precedentes. Desde que José Luiz Datena deixou o comando do policialesco e retornou à Band a audiência só fez cair. William Travassos até que tentou dar um jeito na coisa, mas não conseguiu, tanto que foi rifado duas semanas depois.
Eis que então tiveram a brilhante ideia – sem ironia, pessoal – de escalar Reinaldo Gottino, aquele que já serviu de escudo muitas vezes contra a concorrência. Mas desta vez nem Gottino aguentou o tranco. Tanto que a Record passou a foice na duração do programa.
Com Datena, o “Cidade Alerta” chegou a ocupar quase 3h de programação ininterrupta, sim, sem intervalos comerciais mesmo, ficando das 16h50 às 19h40. Hoje, com Gottino, o “Cidade” virou uma mera atração local, exibida entre 19h e 19h45 para a Grande São Paulo.
Como toda estreia da Record, o “Cidade Alerta” retornava do cemitério com promessa de uma megaestrutura. Sim, ficou na promessa. Equipes de outros estados, sempre à disposição da sede paulista, sequer eram chamadas para contribuir com a pauta, claro, salvo algumas exceções. É nítido que o programa foi idealizado para o público paulistano. Tanto é que houve comemorações quando a emissora resolveu liberar as afiliadas para retornarem ao esquema do “Praça Record”, das 18h30 às 19h45.
As audiências, publicadas neste espaço diariamente, assim como a de vários programas de outras emissoras, têm causado certa irritação na equipe do programa. Tanto é que resolveram mirar a metralhadora de asneiras na equipe deste modesto site.
Se perguntar não ofende, vamos lá. Será o RD1 o culpado pela pífia audiência do “Cidade Alerta”? Ou a equipe do programa que vem mostrando-se ineficiente?
O “Cidade Alerta” foi, desde o seu início, mal projetado. Podem colocar qualquer apresentador à frente da atração que de nada adiantará. O resultado continuará pífio e vergonhoso. Não se muda apenas a embalagem de um produto mantendo seu conteúdo de gosto duvidoso. Afinal, continuará a mesma coisinha intragável.
Vamos tomar como base a audiência das últimas duas edições. Na quinta (25), o “Cidade Alerta” registrou 6 pontinhos, ante 9 do SBT, que exibia o seriado “Chaves”. Na sexta (26), o resultado foi ainda mais humilhante: 9 X 5 para o canal de Silvio Santos. Não importa se pegaram a faixa com 3 pontos da atração anterior e entregaram para a seguinte com 10 pontos, importa que no final perderam para o “menino do barril”. Isso, na verdade, é discurso de perdedor.
Com uma proposta de “primeira”, a Record erra ao fazer de sua grade um amontoado de telejornais. Tudo demais é excesso. Atualmente são, pasmem, 7h30 de jornalismo. Isso sem contar o “Hoje em Dia” e o “Tudo a Ver” que entraram de cabeça nessa vibe. Levado à ponta do lápis, o número pode se aproximar de 10 horas. Levando-se em conta a Globo, líder de audiência no país, a diferença é assustadora. A emissora carioca reserva apenas 5h aos noticiários diários.
O excesso deveria ser cometido na Record News, canal de notícias do grupo, que ocupa pedaços de sua grade com produções independentes e locações. Mas isso é assunto para outra ocasião.
Hoje, espremido em 45 minutos de duração, quase sempre sem intervalos comerciais, o “Cidade Alerta” tem prazo de validade. Enquanto isso, a equipe do programa, aquela que não consegue ganhar de um seriado gravado na década de 70, ataca a imprensa, como se esta fosse a culpada pela sua improdutividade. É, no mínimo, engraçado.








