12/09/2011 às 12:52 - Da Redação

Edir Macedo e o “editorial da salvação”

Emissora usou o “Domingo Espetacular” para atacar a Globo e a Veja e negar crise interna

Edir Macedo se diz satisfeito com a administração de Honorilton Gonçalves

Ontem, 11 de setembro, durante o “Domingo Espetacular”, Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da Rede Record, falou sobre as notícias, as quais ele classifica como boatos, envolvendo sua emissora.

Em uma longa reportagem, com cara de “editorial da salvação”, a Record fez questão de mostrar pontos estratégicos de sua programação, como as manhãs e os domingos, para enfatizar que cresce desde 2004.

É absolutamente plausível que o canal comemore os bons resultados obtidos nos últimos sete anos, mas não se deve fazer o telespectador de bobo. Quando comparado ao biênio 2008/2009, período de melhor Ibope da rede, a audiência da Record está sim em declínio.

A faixa vespertina que sofre diariamente com o SBT, as novelas que já não atingem o rendimento de três anos atrás, o “Jornal da Record” que volta e meia leva sustos do “SBT Brasil”, o péssimo desempenho de “A Fazenda”, o “Cidade Alerta” que capenga desde a saída de Datena, entre outras coisas, justificam a diferença irrisória da Record (6,1) para o SBT (5,3) na média 24h de agosto. Foram apenas 8 décimos de vantagem.

Em relação ao falado no vídeo, sobre a perseguição pregada pela imprensa, não é bem assim. Vários veículos noticiaram o caos que atingiu os bastidores desde que os fiscais, com suas pranchetas pra cima e pra baixo, passaram a vistoriar tudo. Até acusação de assédio moral veio à tona.

Assim como não é correto pregar que há um direito de “ir e vir” na dramaturgia. Nos últimos doze meses, cerca de 30 atores voltaram para a Globo. O pouco aproveitamento do casting e as exigências da emissora contribuíram para isso.

Ao alardear que a imprensa persegue sua emissora, Edir Macedo demonstra que não há, no momento, um argumento mais consistente. É incrível como pregam o respeito ao telespectador e ao mesmo tempo o trata como um poodle faminto por carinho.

O momento mais constrangedor é quando Macedo chama Honorilton Gonçalves para ficar ao seu lado, e ratifica sua satisfação com o crescimento do canal e com a boa administração de Gonçalves. É, no mínimo, estranho.

Quando há a necessidade de o dono da Record conceder uma entrevista para avisar que está contente com o desempenho do canal, algo está pegando. Se não estivesse, não se justificaria tanta preocupação, via comunicado, anúncios e entrevistas, para provar que é “intriga de parte da mídia que se firma em boatos”.

Com Edir Macedo no “Domingo Espetacular”, a Record prova que perdeu o rumo e que vive numa ilusão. Vamos acordar pessoal…