12/10/2011 às 13:24 - Da Redação

Eu comeria o Rafinha Bastos. Tô nem aí!

Pandemônio de opiniões

A novela continua – evitei tocar nessa chatice por entender que os críticos de plantão fizeram questão de fiscalizar cada vírgula a mais acrescentada na polêmica envolvendo a piada de Rafinha Bastos. No dia 19 de setembro, em pleno “CQC”, o humorista disse que “comeria” a cantora Wanessa (sem Camargo, pessoal) e o bebê que ela espera.

A imprensa, em sua maioria, tenta através da psicologia explicar o que leva um artista a praticar uma “selvageria” dessas. Abusivo. Desrespeitador. Incoerente. Imaturo. Foram várias as definições que encontraram para classificar o humorista.

Antes aclamado, por seu jeitinho rebelde e incorreto, Rafinha ganhou destaque em publicações mundialmente conhecidas, como o The New York Times. Passou de precursor do humor coragem para o Judas da vez. Praticamente uma campanha: “Linchem o Rafinha”.

Esse pessoal, hipócrita em sua maioria, que antes aplaudia as piadas do rapaz, agora simplesmente viram as costas. Marco Luque que o diga. Nem Rafinha, do alto de seu sincericídeo, merecia tamanha traição. Vão pular do barco agora? Não, não. Deem as mãos. Afundem juntos.

Wanessa (sem Camargo, pessoal) vai processar o humorista. Ronaldo (aquele que odeia piadas sobre gordos e travestis) e Marcus Buaiz, marido da cantora, bateram o pé e exigiram o afastamento do jornalista do “CQC”. A Band, temendo uma debandada em seu departamento comercial deu o braço a torcer. Bobagem. A piada recai apenas sobre a pessoa Rafinha Bastos. Os anunciantes estão é em festa, afinal o programa virou a bola da vez na mídia.

Bastos, sabendo dos percalços que terá pela frente, pediu pra sair. Johnny Saad, dono da Band, e a produtora Cuatro Cabezas, dona do formato do humorístico, defendem a permanência do mesmo. Alguns diretores da emissora relutam em aceitar essa ideia.

Famosos também contribuíram com as críticas. Marcio Garcia, que conseguiu o patrocínio do seu filme através de Buaiz, e Marco Luque, que virou garoto-propaganda da Claro, pelas mãos do mesmo Buaiz, engrossam a lista. Oportunismo pede licença.

Antes que os politicamente corretos de plantão planejem um movimento (ato de censura) para calar este humilde colunista, aviso logo: não achei graça na piada e muito menos concordo com a postura de Rafinha de agredir verbalmente a imprensa. Mas como disse, foi uma P – I – A – D – A. Virem a página queridinhos. Foi sem graça? Foi. Próxima, por favor.

O gênero stand up comedy é famoso por seu humor cara limpa. Sim, fala de tudo e todos. Sem restrições. Nos Estados Unidos, esse modelo é amplamente ovacionado pelas pessoas. Lá, entendem que ali está em jogo uma única coisa: FAZER RIR. Não o fez? Ok, uma nova piada será lançada. Rir quem quer. Consome quem gosta. Ou não?

Se a Band fizer a loucura de dispensar Rafinha Bastos, deve, em respeito aos seus telespectadores, juntar seu discurso de bom samaritano preocupado com a liberdade de expressão e jogar aos porcos. Demagogia tem limites.

Uma piada sem graça não pode absorver o talento de um profissional. Deixem o Rafinha trabalhar. Um pedido de desculpas conserta tudo. Deem essa chance ao moço. E quer saber? Eu comeria o Rafinha Bastos. Tô nem aí!