Fina Estampa, Aguinaldo Silva, o sucesso e a crítica inconformada
Novela incomoda muita gente

Griselda (Lilia Cabral) flagra Tereza Cristina (Christiane Torloni) e Pereirinha (José Mayer) no maior amasso (Foto: TV Globo / Divulgação)
Conquistar a atenção (positivamente) e ganhar destaque na imprensa hoje em dia não é tarefa fácil para qualquer autor de telenovelas. Além de ter que trabalhar com a rejeição inicial dos “viúvos” do folhetim que o antecedeu, o autor tem que dançar um verdadeiro tango para não cair no jogo de alguns profissionais da imprensa televisiva.
É a velha questão: Fez certo? Nada a mais que a obrigação. Fez errado? Atirem a primeira pedra. Os chamados críticos fifis, tonificados por seu ego e com o peso que sua coluna ou site carrega, acham que tudo podem. Foi-se o tempo em que apenas a análise concisa ganhava destaque. E não está em pauta a questão do elogiar ou criticar, mas, sim, a forma pela qual alguns profissionais tomaram para si. São verdadeiros combatentes, com um único e claro objetivo: derrubar, massacrar e aniquilar o seu alvo.
“Fina Estampa” está nesse campo de batalha desde agosto. Contam-se os elogios recebidos até aqui. “Novela cheia de didatismo e clichês”. “Colcha de retalhos de tudo que o autor já fez”. “Aguinaldo Silva promove o fim da boa dramaturgia”. “Fina Estampa apela pelo convencimento fácil do telespectador e deixa a dramaturgia de lado”. “Aguinaldo deveria praticar o exercício da boa dramaturgia”. Foram alguns dos conselhos dados pelos profissionais que ganham para criticar. Todos, evidentemente, rebatidos por Silva.
No começo muito se criticou a histeria de Christiane Torloni e sua Tereza Cristina. Agora, a atriz está no tom correto. Alguém elogiou? Não. E assim vale para vários personagens. Quando o ator não produz o que se espera e deseja uma enxurrada de críticas o abate. No contrário, faz-se de conta que nada aconteceu.
Como olhar para “Fina Estampa” e não elogiar o desempenho de Lilia Cabral, Marcelo Serrado, Eva Wilma, Dira Paes, Alexandre Nero, Carolina Dieckmann, José Mayer, Arlete Salles, Thaís de Campos, Shopie Charlotte, Marco Pigosse, Eri Johnson, Júlia Lemmertz, Malvino Salvador, Cris Vianna, Paulo Rocha e tantos outros? Elogiar, assim como criticar, é uma via de mão-dupla.
“Fina Estampa”, como qualquer folhetim, tem seus altos e baixos. Alguns atores ainda não mostraram a que veio. Caio Castro e Adriana Birolli, pelo peso que carregam na história, são os casos mais visíveis. Em algumas situações nota-se que determinado personagem está sobrando. Talvez pelo excesso de história do núcleo de Pereirão e Cia não poderia se esperar outra coisa. É um desafio e tanto para o autor inserir esses personagens, com pouca função até aqui, na história central, fazendo com que estes tenham importância e não apenas sirvam de escada para outros. O Honório, ou Gigante, como queiram, do Eri Johnson, é um caso específico. O personagem terá novas funções como contador da loja de Griselda. Espera-se que o mesmo se aplique a outros.
“Fina Estampa”, maior audiência da faixa desde “Paraíso Tropical” (2007), com média-parcial de quase 39 pontos na Grande São Paulo, é o típico novelão clássico. Aguinaldo sabe escrever para o grande público, que retribui e aprova o seu trabalho com médias em torno de 40 pontos e picos próximos a 50.
Se Silva não é o autor que a crítica pediu a Deus, paciência. Mas não é justo desestruturar todo um projeto por birrinhas e picuinhas. A boa crítica, hoje bem representada por José Armando Vannucci, é fácil de praticar. Elogia-se e critica-se na mesma intensidade e serenidade, sem perder a compostura e uma linha tênue de raciocínio crítico.
“Fina Estampa” é uma boa pedida, um novelão. Há quem goste (maioria). Há quem não goste (minoria). Algo totalmente democrático. A esses inconformados, não resta muito o que fazer. A novela fica no ar até meados de abril. Até lá, paciência. Fom fom.








