17/09/2011 às 12:34 - Da Redação

Faltou Roberto Carlos, sobrou Jô Soares!

Egocentrismo de Jô Soares atrapalha entrevista do Rei.

Jô Soares sempre foi uma figura das mais raras da televisão. Talentoso e extremamente inteligente, foi o primeiro artista a se tornar multimídia, muito antes de Miguel Falabella. Atua, escreve, dirige e entrevista. Jô é brilhante e sempre foi reconhecido por tal qualidade. O perfil fake do apresentador no Twitter tem mais de 600 mil seguidores. A explicação é lógica, todos querem estar perto de alguém genial, todos querem ouvir, compartilhar, ter contato, seguir mesmo que não seja ele.

Quantas vezes já vimos entrevistados, famosos ou não, nervosos, felizes, exalando orgulho por estarem no sofá ao lado dele. Há algum tempo uma outra característica do entrevistador começou a ficar evidente: o egocentrismo. Nos últimos anos, já na Globo, não é raro acompanhar entrevistas que frustram nossas expectativas, ou porque o Jô perdeu muito tempo contando histórias que já viveu, com ou sem o entrevistado, ou porque simplesmente não se interessou o suficiente pelo seu convidado e  usou perguntas marcadas pela produção.

Divulgação

Até então, isso não atrapalhava o conjunto da obra. Até ontem melhor dizendo. Jô teve a oportunidade única, de entrevistar Roberto Carlos. Para se ter uma ideia da raridade da ocasião, a última vez que o rei tinha concedido uma entrevista ao Jô foi quando ele ainda estava no SBT. Roberto passou quase duas horas no programa, e de coerente a única coisa que ele fez foi cantar. De resto, Jô fez questão de frisar o quanto era íntimo do cantor, que começaram a carreira na mesma época, que se encontravam em ponte-aérea, mostrou uma revista que trazia fotos dos dois, passou sermão sobre motocicletas, e no final ainda presenteou Roberto Carlos com um roteiro de um filme que ele mesmo tinha escrito.          

Com qualquer outro convidado um pouco mais exagerado, a entrevista poderia ter rendido. Mas com Roberto Carlos, que é avesso ao estrelismo, uma figura simples, de poucas palavras, o ego do Jô afundou, aquela que poderia ter sido a entrevista do ano. Faltou Roberto Carlos, sobrou Jô Soares.