Trilhas sonoras requentadas
Diretores só querem saber de músicas antigas!
Trilha sonora para televisão é sempre um assunto delicado. As canções que vão servir de pano de fundo pra história de uma novela ou de um seriado por meses, passam por um processo muito detalhista, afinal, aquela música vai tocar várias vezes. Música de abertura então é mais complicado ainda, é a única de toda trilha que é executada quase que por inteiro, 6 vezes por semana. Trilha sonora é um prato cheio pra qualquer diretor, uma boa música ajuda qualquer cena a ficar ótima.
Como na moda, as técnicas de televisão e de cinema geralmente gostam de revisitar o passado, transformando um pouco ali, ajustando um pouco aqui e criando algo novo. O que era velho agora é referencial. Na trilha sonora não é diferente. Seguindo uma corrente dos seriados americanos, as produções brasileiras começaram a usar músicas antigas, e às vezes nem tão antigas, em suas trilhas. O saudosismo que isso desperta no telespectador mais atento empolga e ajuda a alavancar a história. Vai dizer que você não segue cantando junto o refrão de “Easy like Sunday morning” enquanto Herculano e Amanda vão se beijando em “O Astro”?
Em algumas produções como o “O Astro”, esse tipo de música funciona muito. A novela por ser um remake, aceita quase todo tipo de referencial. Em outras produções isso vai muito bem também. “Cordel Encantado” tinha uma trilha recheada de clássicos como Carcará e Maracatu Atômico. Em “Tapas e Beijos” a versão do sucesso de Leandro e Leonardo dão o tom e o nome da série, isso sem falar em Mandrake e os cubanos de Skank, que pra qualquer adolescente do final do anos 90 é uma lembrança e tanto.
Na última segunda-feira começou “A Vida da Gente”, com várias músicas antigas em sua trilha, a começar pelo tema de abertura com Oração ao Tempo regravada por Maria Gadú. A abertura é o de menos, geralmente a Globo aposta em algum grande sucesso ou no instrumental. Mas novelas contemporâneas pedem uma trilha recheada de hits atuais e de novas apostas, caso contrário a identificação não acontece. Histórias que não nos apresentam uma janela de tempo pedem músicas atuais, senão fica tudo com gosto de requentado. Se a história não empolga e a trilha não ajuda fica mais difícil ainda construir um sucesso. E música boa no Brasil e no mundo é o que não falta, é só procurar!








