A ousadia elegante do “Viva Voz”
Programa de Sarah Oliveira no GNT, é ótima opção para o final das noites de quarta-feira.

Quem não gosta de uma boa história de bastidores que atire a primeira pedra. Todos nós, vez ou outra, uns mais outros menos, somos ávidos pela vida alheia; ainda mais se for a de uma pessoa famosa. Não é à toa que há muito tempo consumimos entrevistas, sejam elas na televisão, no jornal, na revista, na rádio ou na internet. O desejo de conhecer o que está por trás daquela pessoa que faz sucesso é como um atenuante do glamour, a gente chama o famoso para perto, fica íntimo. É como se todos nós sentássemos num enorme e comunitário sofá da Hebe.
O problema é que até então, conhecer um artista através de uma entrevista era algo feito de apenas dois pontos de vista; ou do entrevistador ou do entrevistado. O primeiro faz uma pesquisa prévia, disseca a carreira, e busca os pontos que acredita que vão render uma boa conversa. O segundo já vai preparado, incorporado em outro personagem que não ele mesmo, controlado para ser politicamente correto, engraçado, simpático e ainda divulgar o seu mais recente trabalho. Querendo ou não é um formato engessado, rígido. Fica aquela sensação de que faltou alguma coisa. Ficava. Se você quer realmente ver um programa que mostre o lado B de uma celebridade, não pode perder o “Viva Voz” com a Sarah Oliveira, toda quarta-feira, no GNT.
No programa, Sarah inverte o olhar. É um verdadeiro jogo de espelhos. O povo nas locações (muito criativas por sinal) fala como aquele artista se comportaria em tal situação, o artista vê o seu reflexo na sociedade, e tem a possibilidade de dizer se a imagem está ou não distorcida. A própria apresentadora também entra pontualmente com suas opiniões. E o telespectador em casa, fica brincando no jogo dos acertos. São muitas visões particulares de uma pessoa pública. E isso é tão libertador, tão novo e ao mesmo tempo casual. Os convidados sempre escolhidos a dedo, a simpatia de Sarah e o tempo curtíssimo de duração se completam. É entretenimento puro.
No último episódio, uma lojista ao falar das famosas minissaias de Wanderléa, disse que a cantora não tinha culpa se esta peça de vestuário tinha tornado-se vulgar, e a ternurinha concordou: Sempre procurei ousar, mas de forma elegante. E é isso que mostra o “Viva Voz”, a intimidade com limites, sacia a curiosidade, mas não intoxica.








