Os fieis escudeiros de Aguinaldo Silva
Crô Valério faz parte de uma linhagem de personagens muito usada pelo autor.

Crô Valério (Marcelo Serrado) foi o grande hit de “Fina Estampa” na semana que passou. A interpretação cada vez mais precisa e inspirada tem feito de Crô um dos melhores tipos criados por Aguinaldo Silva para esta novela.
Mas não é de hoje que o autor recorre ao relacionamento de fidelidade entre patroas e empregados. Todos guardam as mesmas características: veneram a patroa, geralmente mulheres de personalidade forte, e são extremamente fiéis às suas “Rainhas do Nilo”.

Em “A Indomada” (1997), a Juíza Mirandinha, interpretada por Betty Faria, vivia em pé de guerra com o prefeito Pitiguari (Paulo Betti), e contava com seu eficiente secretário Egídio para colocar toda Greenville “nos rigores da lei”. Vivido por Licurgo Spíndola, Egídio além de um funcionário prestativo e tímido, nutria uma paixão platônica pela juíza. No final da novela, os dois acabam juntos.

Já em “Suave Veneno” (1999), embora não tenhamos a figura da patroa, era impossível deixar Uálber e Edilberto fora desta lista. O vidente interpretado por Diogo Vilela era totalmente do bem, mas vivia se metendo em confusão para combater Marcelo Barone (Fúlvio Stefanini) que era a personificação do demônio. Ao seu lado na luta, Luis Carlos Tourinho, o eterno Piu Piu, é quem dava vida para Edilberto, que vivia tropeçando e soltando seu bordão “Abalou Bangu!”.

Em “Porto dos Milagres” (2001), a perua da vez de Aguinaldo era a fogosa Amapola, de Zezé Polessa. Com seus cabelos vermelhos, o núcleo foi um grande sucesso. Desmedida e sem pudores, a perua também não aprovava o romance do filho Alfredo Henrique (Miguel Thiré) com uma filha de pescadores (Barbara Borges). Amapola era patroa de Venâncio, o primeiro grande destaque de Tadeu Mello na televisão. Com sua voz inconfundível e o sotaque nordestino, Venâncio fazia o público rir cada vez que soltava o sonoro e estridente “Madame”.

Nesta mesma novela, um outro faz tudo, só que sem afetações, dava conta das maldades de sua patroa. A inesquecível Adma (Cássia Kiss), tinha como cúmplice dos seus crimes o capataz Eriberto (José de Abreu). Além do respeito e fidelidade, o capanga também era o amante apaixonado da vilã que matava todos com o veneno no anel.
No sucessão “Senhora do Destino”, também não faltaram fieis escudeiros. Glória Menezes tinha nas mãos uma personagem muito importante, Laura, a Baronesa de Bonsucesso, seria a responsável por uma das tramas paralelas mais importantes da novela, que iria falar da doença de Alzheimer. Com o afastamento de Raul Cortez por problemas de saúde, o mordomo Alfred (Ítalo Rossi) ganhou destaque na novela, e passou a ser o grande parceiro de cena de Glória Menezes. Alfred era um legítimo mordomo inglês, que usou de toda dedicação e carinho para cuidar da Baronesa.

Da zona sul para a baixada fluminense, Ubiracy (Luiz Henrique Nogueira), o carnavalesco da Unidos de Vila São Miguel, tinha como musa inspiradora Nalva (Tânia Khalil). Ubiracy fazia de tudo por Nalva, que era apaixonada pelo marido do irmão (Leonardo Vieira). Durante a novela o personagem foi crescendo, e garantindo boas e engraçadas cenas ao lado de Giovanni Improtta (José Wilker).








