28/11/2011 às 13:50 - Da Redação

A lição de Boni: o popular bem feito!

Em entrevista para a Globo News o homem que já foi o todo poderoso da Globo fala sobre o passado e futuro da televisão.

No último sábado, em entrevista ao repórter Geneton Moraes Neto, no ótimo programa Globo News Dossiê, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, disse que o maior desafio de quem faz televisão é fazer o popular bem feito. O velho dilema de que ou se faz algo muito bom que não é sucesso, ou se faz algo popularesco e sem qualidade. Velho dilema, porque até hoje a televisão vive nessa dicotomia, embora o show de horrores de alguns anos atrás não exista mais, ainda temos uma audiência que se alimenta muitas vezes do sensacionalismo, da degradação humana ou do assistencialismo barato.

A entrevista de Boni deixou claro que na verdade, todos que fazem televisão hoje estão pouco atentos ao passado e com um pensamento muito ramificado para o futuro. Pensa-se em todas as plataformas que a televisão estará presente em alguns anos, e esquece-se do conteúdo. Conteúdo que ficou claro quando ele listou as 10 principais novelas das 21h. Na opinião dele, “Roque Santeiro” estava em primeiro lugar na sua lista, mas o próprio só chamou de obra-prima “Vale Tudo”. Querendo ou não um dos momentos mais inspirados da carreira de muita gente que fez a novela: de Gilberto Braga até Glória Pires, passando por Daniel Filho, Aguinaldo Silva e Regina Duarte.

A “Era Boni” na Globo acabou. A televisão hoje é muito maior e enfrenta muito mais concorrência pra seguir as ordens de apenas uma pessoa. A figura do “todo poderoso” entrará para a história junto com Boni. Mas existe uma lição a se tirar do trabalho dessa figura que ajudou a moldar a televisão brasileira: a eterna busca de qualidade. E qualidade é uma via de mão dupla. Emissoras são empresas, que visam o lucro, e o lucro é medido pela audiência. E audiência só se ganha ou perde, quando lembramos de usar o controle remoto ao lado. O caminho para o popular bem feito passa por dentro da sua casa. E já passou da hora de cada telespectador criar o seu próprio padrão de qualidade.