08/12/2011 às 13:03 - Da Redação

A Globo resolveu sacudir a poeira!

Na semana em que Fátima Bernardes deixou a bancada do “Jornal Nacional” e a Globo divulgou o fim da “TV Globinho” em 2012, uma das grades mais inflexíveis e apertadas da televisão aberta brasileira, finalmente mudou. A Rede Globo e a sua programação, como bem disse o jornalista Rodrigo Viana, é um transatlântico que se [...]

Na semana em que Fátima Bernardes deixou a bancada do “Jornal Nacional” e a Globo divulgou o fim da “TV Globinho” em 2012, uma das grades mais inflexíveis e apertadas da televisão aberta brasileira, finalmente mudou. A Rede Globo e a sua programação, como bem disse o jornalista Rodrigo Viana, é um transatlântico que se move lentamente, todo movimento e direção são milimetricamente calculados antes de serem executados. Mudar uma grade que até então pode ser considerada sucesso não é tarefa fácil. Mas é tarefa necessária. Por mais que ainda mantenha a liderança, a Globo sofre com perdas pontuais na audiência que acabam derrubando ou então atrapalhando o desempenho de outras atrações que tinham tudo para dar certo.

As manhãs da emissora viraram um problema já há alguns anos.  Nesse quesito a Rede Record tem uma programação adulta muito melhor e mais atrativa, com o “Fala Brasil” e o “Hoje em Dia”. Para as crianças, o SBT tem tradição nesse assunto. A Globo ficava no meio do caminho, um pouco perdida entre os dois públicos e a queda foi inevitável. Ana Maria Braga nunca foi o problema, talvez a solução. O problema é não deixar ela ser o que  sempre foi: uma amiga da dona de casa na televisão. Se os livros e revistas de Ana Maria ainda são um sucesso editorial, é porque lá está a sua essência. O “Mais Você” virou uma outra atração, em que restou de sua origem apenas a Ana, o Louro José e a receita diária. É preciso evoluir, mas sem perder as raízes.

O “Bem Estar” ainda é muito recente, uma linguagem muito nova, e fala de assuntos até então muito distantes do público. Precisa de tempo para o público digerir. Acabar com o programa seria um desperdício de tempo e energia. Já a “TV Globinho” vem procurando sua identidade desde sempre. Passou por todos os tipos de linguagens e apresentadores. Os desenhos, que sempre foram o forte da Globo, já não agradam mais. É realmente um problema, que ninguém na emissora parecia ter vontade para mudar. A substituição pelo novo programa de Fátima Bernardes é mais do que acertada.

Falar aqui das manhãs da Globo é só um exemplo recente e que finalmente entrou em discussão na emissora. Vários outros pontos fracos atrapalham a grade, como “Malhação”, “TV Xuxa” e os domingos. Assim como a Record, o SBT e a Band também possuem uma grade que ajustada daria melhores resultados. É um assunto difícil de criticar e muito mais difícil de fazer. Envolve o trabalho de profissionais respeitados que fazem o melhor para o público, mas que  nem sempre dá certo. O maior mérito desta recente mudança na Globo é a abertura para o debate, para as mudanças e para a transformação. A emissora líder resolveu sacudir a poeira, as outras que façam o mesmo.