Minha paixão por “Fina Estampa” e o dia que a pipoca queimou; virei suspeito para comentar a novela
Coisa fina são outros quinhentos.
Olha, caros, eu tinha parado de assistir novelas que são veiculadas na faixa das 21h há um bom tempo. Nada que foi ao ar, ultimamente, me agradou. Na minha opinião, o horário estava perdido, sem rumo e jogado aos “traços” de audiência.
No dia 9 de agosto vi pela primeira vez o que seria a chamada de “Fina Estampa”, em cartaz no horário mais nobre da TV brasileira, na Globo. De-tes-tei. Sí-la-ba por sí-la-ba mesmo. Sabe quando você não vai com a cara do indivíduo de qualquer jeito, sem ao menos conhecê-lo? Tá aí, fiz um pré-julgamento.
No dia 22 de agosto, às 21h15, entrou no ar “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva. A primeira sequência me lembrou a abertura de “Paraíso Tropical”, com uma câmera voadora, passando pela montanha verde e revelando a linda Barra da Tijuca. Wolf Maya, em cena, já anunciava que seu núcleo prometeria muitas risadas. Os diálogos me fizeram sentir em casa, ou melhor: parecia que eu estava ali, na praia, conversando e interagindo com todos. Aguinaldo me levou para dentro da tela!
E se passavam os minutos. Nunca vi o relógio correr tão rápido… as coisas íam acontecendo, se revelando, ficavam claras… e dá-lhe acontecimentos e cenas emocionantes. Olhei para o relógio, às 21h44, e notei que boa parte da novela já tinha ido em um “ah, mas já tá acabando!”. Foi quando começou a abertura da trama que virou toque no meu celular (sim, sou desses de colocar jingles da TV no tel
). Finda a abertura e eu corro para o microondas fazer pipoca. Neste ato, abandonei a carcaça de crítico e passei a assistir a novela como um telespectador comum. Já tinha viciado!
Passo a passo: armário, pacote de pipoca, faca, microondas/
Na TV: Volta “Fina Estampa”.
Fiquei desesperado.
E dá-lhe correria: microondas, painel, DEZ MINUTOS/ Corri para o sofá e deixei que o aparelho fizesse o que lhe foi determinado.
E continuei apreciando a novela, até que ela acaba.
- Acordei, cadê pipoca?
Corro para o microondas, abro e SURPRESA… As coitadas passaram do ponto, já não serviam mais :/
Claro, quando me recuperei das fortes emoções daquele belo primeiro capítulo, dei por conta que marquei DEZ MINUTOS e simplesmente havia ignorado a simples e rápida função pipoca do aparelho.
Só sei que não perdi um capítulo até agora e que é a única novela desde “Senhora do Destino” que acompanhei os 7 primeiros capítulos. Geralmente paro no primeiro e volto no meio da novela.
Se eu pudesse definir a minha relação com “Fina Estampa”, diria que estou em um relacionamento sério. Virei fã de verdade. Agora sou até suspeito para falar sobre o assunto, mas declaro que não sou o único. Ontem na aula paramos para falar da novela. O estilo popular, leve e descontraída agradou muita gente. É uma família de quarenta e tantos milhões de brasileiros ligadinhos. Em termos de Ibope? Ah, esse aí saiu do coma e resolveu dar sinal de vida. “Fina” teve, em sua primeira semana, índice maior que umas 7 novelas antecessoras.

Griselda (Lilia Cabral) – Protagonista de “Fina Estampa”. A mocinha pode não ter dinheiro, mas tem dignidade.
Em uma certa aula de História da Linguagem Audiovisual, o professor se dirigiu a turma e perguntou: Quando você pensa na Globo, qual é a primeira coisa que vem na cabeça de vocês? Eu fui claro e disse: A vinheta de abertura do “Jornal Nacional”!. Vou pedir retificação. A primeira coisa que me lembra na Globo, quando penso nela, agora é “Fina Estampa” e sua vinheta de abertura. É um marco.
Ao Aguinaldo, autor, só peço que continue proporcionando essa linda novela. E dá-lhe Tereza Cristina, Pereirão, Antenor… estou muito ansioso para ver os próximos acontecimentos. Não vejo a hora da transformação da Griselda acontecer. Sem contar que Torloni promete arrasar ainda mais quando sua personagem resolver aprontar suas maldades contra a mocinha Griselda.
“Fina Estampa” é um milagre depois de muitas histórias perdidas. Silva nos trouxe uma obra belíssima que está bem gostosa de assistir. Sei que queimarei muitas pipocas ainda, que perderei muitos sábados à noite para poder assistir… mas vale à pena. Estou apaixonado!








