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Pablo Brito

  • 11/04/2012 às 10:14h

    Record acerta com “Máscaras”

    A novela começou bem

    Divulgação/Rede Record

    Lauro César Muniz fez a parte dele. O experiente autor entregou para a Record um bom texto para a emissora produzir. “Máscaras”, que estreou ontem, é repleta de nuances, já mostrou logo no começo uma personagem marcante e pareceu original. A novela não teve um primeiro capítulo convencional, geralmente usado para apresentar a trama e os personagens. Muito pelo contrário, a história já foi acontecendo e terminou com um bom gancho.

    O maior problema da estreia foi justamente o ritmo. Culpa muito mais da direção e da edição do que do autor e elenco. Em um capítulo onde toda ação se concentrou em um núcleo, ficaram faltando belas imagens, paisagens, uma construção melhor dos flashbacks, uma trilha sonora mais marcante. Ignácio Coqueiro faz uma direção muito crua, corta as cenas abruptamente, e a novela toda fica com cara de antiga, anos 80. Isso pode ser bom para alguns, mas é um perigo que os diretores acreditem que voltar ao passado é questão de estilo.

    Pouco se viu de todo o elenco que fará “Máscaras”, mas Miriam Freeland foi o grande destaque da estreia. A atriz estava tão bem, que no final do capítulo você de alguma forma já estava envolvido com a história da Maria. Fernando Pavão, quem diria, também não decepcionou, segurou bem a carga do protagonista. Heitor Martinez e Giselle Itié não mostraram química suficiente para um casal de vilões, mas também se viu pouco dos dois. Já Daniela Galli e Karen Junqueira quebravam a evolução do capítulo toda vez que apareciam para recitar de forma chata um texto didático sobre DPP (Depressão Pós-Parto).

    “Máscaras” teve um primeiro capítulo ascendente. Começou devagar e triste e terminou bom. Isso é um ponto a favor, porque tem muita história ainda para acontecer. Se essa tendência de melhora persistir será mais uma grande novela de Lauro César Muniz e da Record. A emissora ainda precisa acertar muito a questão de iluminação e som. O uso do chroma key também deixou a desejar. Detalhes técnicos que fazem toda a diferença para quem quer brigar de frente com a Globo. No balanço final, a Rede Record mais acertou do que errou no começo da novela. Estão com uma pedra preciosa nas mãos, tomara que saibam aproveitar.

  • 20/03/2012 às 16:58h

    O diferencial de Alexandre Nero

    Zoiudo conquistou o público!

    Imagens: Divulgação/Rede Globo

    Três anos atrás a teledramaturgia vivia uma escassez de elenco masculino. As produções padeciam para achar um galã, um vilão ou até mesmo um bom coadjuvante, principalmente entre 30 e 40 anos. Agora os autores e diretores não têm do que reclamar. Além de alguns bons atores finalmente estarem nesta faixa etária como Fábio Assunção, Murilo Benício, Eduardo Moscovis, Alexandre Borges e Marcello Antony, outros nomes muito talentosos surgiram nos últimos anos. Alexandre Nero é um destes casos.

    Apareceu pela primeira vez nas novelas em 2008, no papel de Vanderlei em “A Favorita”, em que escrevia cartas apaixonadas para Catarina, a personagem sofrida de Lília Cabral. O papel do verdureiro alçou Alexandre Nero ao sucesso. Depois disso ganhou três personagens de destaque: o Terêncio em “Paraíso”, o vilão Gilmar em “Escrito nas Estrelas” e agora o polêmico Baltazar de “Fina Estampa”.

    O desafio de fazer o Baltazar não foi nada fácil. Personagens que batem em mulher geralmente ganham a rejeição do público logo de cara. Numa inversão de valores, e com ajuda da interpretação acertada de Dira Paes que fez uma Celeste infantilizada, o politicamente correto público brasileiro acabou redimindo o Baltazar. Paralelamente o outro núcleo em que participou na novela, o dos empregados da Tereza Cristina, acabou virando a grande sensação da trama. Crô e Zoiudo são a grande dupla de “Fina Estampa”, e ao que tudo indica Baltazar caminha para um final feliz.

    O ator mostrou que tem grande versatilidade e uma capacidade de adaptação ao ritmo de uma novela como poucos. Em uma obra aberta o ator precisa emprestar o benefício da evolução, que nós seres humanos temos, para o personagem e ir mudando aos poucos, aprendendo novos valores, olhares ou entonação de voz. Tudo isso no ritmo maluco e apertado que é o de uma novela das nove. Manter um personagem que começa como algoz e termina como queridinho, com as mesmas características e nuances, é tarefa só para atores muito talentosos. E Alexandre Nero é um deles.

  • 19/03/2012 às 14:11h

    Televisão x Religião

    Uma combinação perigosa!

    Ontem a espanhola Noemi, que está fazendo intercâmbio no BBB, ficou espantada em uma conversa com os outros brothers, com o alcance do programa aqui, e principalmente com o alcance da televisão no Brasil. Disse que na Espanha, a televisão não comove tanta gente. Não vou comparar a disparidade entre o nível educacional da Espanha e do Brasil. Vou apenas atentar-me ao fato da comoção. A televisão é um simulacro da realidade? Apenas entretenimento? Não aqui no nosso país. A hegemonia dos canais abertos e o modelo usado até hoje, formou um telespectador pouco capaz de segmentar. O modelo dos principais canais abertos é o mesmo em linha de produção: jornalismo, teledramaturgia, variedades, humor e linha de shows; o contrário dos canais pagos onde existe a segmentação.

    Não há uma forma de tratar televisão apenas como lazer ou entretenimento, se entre uma novela e outra, temos um Jornal Nacional mostrando tudo que acontece no mundo. O botão de sintonia do nosso cérebro estraga fácil, e vai tudo formando uma bola de neve de realidade e ficção. Imagine então juntar nesta mistura religião. A fé é uma questão de escolha, e filósofos vem tentando desde muito tempo entender o que nos leva a crer. O fato é o que o ser humano precisa de uma explicação para a sua própria existência, e a religião nutre essa necessidade, não importa qual seja. É por isso que é um assunto tabu, quase indiscutível. Como eu posso julgar a escolha de alguém, se eu mesmo já fiz a minha. O respeito é a única saída. É esta discussão que não combina em nada com a televisão, que foi criada para ser um escape, embora nem sempre cumpra essa função.

    Se a bola de neve que citei lá em cima é perigosa, incluir religião, dinheiro e poder no meio é transformá-la em uma arma de alta potência. Não estou dizendo com isso que a religião não pode ser mostrada. É saudável exibir a missa do galo, o show gospel, a novela com temática espírita, padres cantores, séries bíblicas ou sessões de descarrego. É uma atração destinada a uma parcela de público, assistir é opção. O limite é ultrapassado quando se usa todo o alcance de uma emissora para defender ou acusar outro tipo de religião, fé, igreja, pastor, seja lá o que for. E o pior, em defesa de interesses comerciais, porque quem acusa faz igual ao acusado. Temos que ter muita cautela nestas situações. Separar o que é doutrina do que é informação é tarefa pra todos que de alguma forma estão envolvidos neste processo. Caso contrário, ficaremos todos a falar do novo erro do Zeca Camargo, enquanto tem muita gente sendo enganada por aí, logo ali no outro canal.

  • 16/03/2012 às 14:31h

    As 5 peças que montaram o sucesso de “Fina Estampa”

    Ok Aguinaldo, você venceu!

    Imagens: Divulgação/Rede Globo - Arte: Pablo Brito

  • 15/03/2012 às 09:49h

    A reinvenção de Ana Maria Braga

    Mais leve e divertida!

    Twitter/Reprodução

    Ana Maria Braga não precisa provar nada para ninguém. Sua história de vida e sua trajetória profissional falam por ela. Será mesmo? Ana Maria não parece ser daquelas pessoas acomodadas que sentam no confortável trono do passado brilhante e dali não saem mais, ficam eternamente a colher os louros da vitória. Ana Maria é uma mulher inquieta, e inquietude é sinônimo de reinvenção.

    Inventar um novo “Mais Você” é o que Ana vem fazendo nos últimos anos. Logo que foi para Globo, ela não precisava provar nada. Comandava um programa vespertino de mais de quatro horas de duração e ao vivo. Tornou-se sinônimo de espontaneidade e construiu um dos públicos mais fieis que a televisão já viu: as donas de casa. Ana transformou seu nome em uma simbologia que carrega os títulos de boa comida, lindo artesanato, ótimas dicas e até empreendedorismo. Não foram poucas as pessoas que começaram negócios lucrativos com alguma receita que a loura já fez na TV. Não é à toa, que com ou sem audiência, os produtos que carregam seu nome vendem como água até hoje.

    Ao chegar na Globo, a apresentadora precisou dar conta do problema que era passar o seu recado em um programa de 90 minutos de duração. A espontaneidade foi dando lugar à correria de encaixar receita, dica de moda, beleza, histórias comoventes e ainda tinha que dar tempo pro merchandising. O “Mais Você” subiu e desceu da grade de programação da Globo como nunca até encontrar o seu horário mais adequado no comecinho da manhã. O que não esperava era encontrar pela frente um “Fala Brasil” da Record. Desde então as coisas não tem sido fáceis para Ana. Incontáveis são as vezes que perdeu a liderança. Para se ajustar ao concorrente, o programa passou a ceder cada vez mais espaço para o jornalismo, para o sensacionalismo e sobrou quase nada para as receitas.

    Eu sempre imaginei a figura de uma senhorinha, fã do extinto “Note e Anote”, sentada logo cedo na frente da televisão, com um caderninho e uma caneta, pronta para anotar a receita da empadinha de palmito que vende feito água, guardando o caderno em branco na gaveta, porque ficou ouvindo todo tempo sobre o caso do último assassinato que chocou o país. Ontem, Ana Maria conseguiu fazer um programa leve e divertido e com objetividade. Recebeu para tomar café Marcelo Serrado e Alexandre Nero, o Crô e Zoiudo de “Fina Estampa”. Conversou, riu, se emocionou, fez pegadinhas com o Louro José e ainda passou uma receita de pernil que deu água na boca. Esse é o sentido do “Mais Você”, essa é a opção para quem não quer o show de horrores, essa é a Ana Maria Braga que o nome fala por si só, e que se reinventa sozinha quando faz aquilo que gosta e sabe fazer. A senhorinha foi sorrindo pra cozinha preparar o almoço, lembrando da novela e com uma baita receita para fazer no domingo.

  • 14/03/2012 às 08:16h

    BBB 12 – O jogo dos belos

    Patinho Feio Milionário

    O BBB 12 teve cinco protagonistas. Laisa, Renata, Monique, Yuri e Jonas. De 16 participantes a combustão gerada pelas atitudes destes cinco marcou uma das mais fracas edições do programa. Yuri saiu ontem. Só restam lá dentro Monique e Jonas. E deles só podemos esperar mais alguns calorosos beijos. Muito antes de o programa começar Boninho já havia avisado que seria uma edição com perfil mais jovem. O que ele não tinha dito era que além de jovem, também um perfil mais belo. Se a 12ª edição do BBB será lembrada pelo seu marasmo, a beleza dos jogadores também ficará na memória.

    Estamos acostumados a ver o BBB separar grupos e dividir torcidas por vários motivos até hoje: classe social, idade, opção sexual e até carisma. Alemão (BBB 7) e Dhomini (BBB 3) foram massacrados em diversos paredões por serem muito carismáticos. Acabaram ganhando o prêmio. No BBB 12 a casa se dividiu em uma agitada selva e uma pacata praia. Mas foi o fator beleza que mandou no jogo. Não se pode dizer que teve uma escolha errada de elenco. Muito pelo contrário, a produção foi muito esperta em colocar em uma mesma casa cheia de espelhos, pessoas tão bonitas e ao mesmo tempo tão narcisistas.

    Laisa até para chorar se olhava no espelho. Renatinha enxergava o jogo como uma balada, e foi se aproximando dos homens por escala de beleza: Jonas, Ronaldo e o ogro Rafael. Monique nas primeiras semanas nunca reclamou de estar gorda. Bastou Analice e Mayara (as mais gordinhas) saírem do programa, para ela se ver como objeto de comparação às outras e começar o chororô. Renata e Monique bagunçaram toda a estratégia da Selva quando começaram uma velada disputa por quem ficava com Jonas. Yuri, que devia levar uma vida de macho alfa fora da casa, ao entrar se deparou com homens mais bonitos que ele e personalidades mais fortes, o resultado vimos ontem: um destempero, pirou tanto que acabou eliminado. E Jonas se tivesse tido a inteligência necessária para entender que era uma das peças mais importantes do jogo, e o que despertou mais desejo, inveja e ciúmes, estava com a mão no prêmio, mas deve sair de lá só com a imagem de bom moço mesmo.

    Com toda esta combinação lá dentro, a edição poderia realmente ter sido histórica. O que Boninho não esperava é que eles fossem jogar de forma tão errada e amena. Jakeline e Mayara foram precocemente eliminadas se levarmos em conta que Kelly e João Carvalho ainda estão lá dentro. Laisa, a grande personalidade desta edição, saiu tão cedo que tiveram que dar um jeito dela voltar, nem que fosse na Espanha. O embate Praia e Selva só aconteceu lá dentro, o público só teve um paredão (Ronaldo x Fabiana) para participar da disputa. E o resultado final a gente já pode prever. No jogo dos belos o patinho feio foi comendo pelas beiradas. Fael, que tinha tudo para ser mais uma planta, com ajuda da edição que valorizou seu jeito caipira, nunca esteve tão próximo de se tornar um milionário.

  • 13/03/2012 às 10:18h

    “Chocolate com Pimenta” é aposta fácil da Globo!

    Walcyr Carrasco novamente

    A noite de ontem (12/03) na televisão foi uma enxurrada de informações. Nunca usei tanto meu controle remoto. Como tem assunto para uma semana inteira de postagens, vou começar pelo horário da tarde. Estou falando da re-reprise de “Chocolate com Pimenta”, de Walcyr Carrasco, no “Vale a Pena Ver de Novo”. A novela estreou em setembro de 2003, reprisou em 2006 e novamente em 2012. Acompanhando o ritmo atual da televisão, não é de se espantar essa preferência por “Chocolate”. Nas duas vezes que foi ao ar, originalmente e na 1ª reprise, a novela conseguiu facilmente manter ou superar a meta de audiência da Globo no horário.

    Porque estou falando do ritmo atual da televisão? Porque a Globo, como todas as outras emissoras, atualmente, não se preocupam mais com os números frios do Ibope, e sim com a meta. Em novelas a meta da emissora é sempre abocanhar acima dos 50% do share daquele horário.  E para isso “Chocolate com Pimenta” é uma aposta fácil, quase uma barbada. Porque se trata de uma obra sem arestas, redondinha, a melhor em todos os quesitos de Walcyr Carrasco. Digamos que a sua melhor forma, a que marca um antes e depois na carreira dele.

    A escolha de Walcyr para este horário é ideal. O autor é praticamente um vale a pena ver de novo de si mesmo. Lógico que esta não é uma premissa só dele, mas em sua obra as repetições saltam aos olhos, ficam mais evidentes. De todas as suas novelas só as últimas duas ainda não foram reprisadas, mas não se espante, se em 1 ou 2 anos “Caras e Bocas” der o ar da graça nas tardes da Globo.

    O horário mostra que o público está pronto para receber essas histórias novamente. É só analisar a boa audiência que a também re-reprise de “Mulheres de Areia” conseguiu. E ontem o 1º capítulo de “Chocolate” manteve os índices com pouca oscilação. Já falei aqui no blog que somos mesmo uma nação de saudosistas, é só ver o sucesso do Canal Viva, das reprises sem fim do SBT, e por aí vai. O único risco de “Chocolate com Pimenta” seria o pouco espaço de tempo (menos de 10 anos) entre suas reprises, mas a novela é tão leve, tão boa, que é pouco provável que isso espante o público. Mesmo levando muita torta na cara, “Chocolate com Pimenta” é chique benhê!

  • 01/03/2012 às 17:52h

    As várias percepções de “A Vida da Gente”

    No final da novela, um review, dessa trama que foi mais um acerto no horário das 18h da Globo.

    Uma coisa é fato: a Globo vem acertando no horário das 18h. Desde a trágica “Negócio da China”, as últimas quatro obras foram sucessivos acertos. E tenho que chamar de acerto, porque não posso chamar de sucesso, principalmente se o quesito audiência for levado em conta. O que era mais difícil de imaginar é que depois de “Cordel Encantado”, aclamada como a novela mais inovadora dos últimos tempos, pudesse surgir uma história que dividisse opiniões e emocionasse o público como foi “A Vida da Gente”.

    Lícia Manzo não tem do que reclamar. E o público não tem o que reclamar dela. A autora não deixou em nenhum momento de pesar a mão. Se para muitos a novela usou e abusou do dramalhão, do apelo emocional fácil, a defesa de Lícia pode ser a de que nenhum assunto é proibido ou pesado demais, se for bem explorado, bem contado e, claro, bem inserido na trama. A novela passeou por vários assuntos, digamos “dedo na ferida”: mães que exploram filhos famosos, mães que rejeitam filhos, pais e mães que só vivem para o trabalho, sexo na terceira idade, homens fracassados, mulheres que sustentam a casa, formação de novas famílias. Isso sem falar da infinidade de assuntos de saúde: infertilidade, coma, câncer de próstata, alcoolismo, recuperação pós-traumática e hepatite. No meio disso tudo ligando um núcleo ao outro: o tênis, culinária, adoção, esoterismo e uma pitada muito fraca de comédia.

    Uma novela completa, bem estruturada, com diálogos inesquecíveis. Foi considerada uma história extremamente feminista, onde as mulheres mandavam no jogo, e os homens quase sempre mostrados como fracos e bobos. Uma opinião fraca nivelar a novela assim, essa é apenas uma das percepções que se pode ter de “A Vida da Gente”. Foi um retrato ampliado da atual situação das famílias, do novo papel do homem e da mulher na sociedade, da vida na terceira idade, do mundo dos esportistas, da eterna complicação que é a relação entre pais e filhos.

    O horário de verão foi ingrato, e a audiência não correspondeu. Mesmo sem ser um grande sucesso, é uma daquelas novelas que ganha uma legião de fãs, que provocou discussões acirradas no Twitter, que merece uma reprise daqui alguns anos. Aquela velha situação que todos autores passam quando são parados na rua por alguém dizendo “Olha minha vida daria uma novela!” parece ter sido a espinha dorsal de “A Vida da Gente”. Uma sucessão de acontecimentos, inesperados ou não, simples ou complicados, mas que sempre rendem boas histórias, aqui na vida real ou ali na novela.

  • 18/01/2012 às 15:45h

    Os caminhos do “Muito+”

    O programa é leve e divertido e merece atenção!

    Agradecimento ao colega João Paulo DellSanto pela troca de ideias!

  • 03/01/2012 às 09:45h

    Band começa 2012 acertando com “Mulheres Ricas”

    Reality substitui o programa humoristico "CQC"

    Albert Camus dizia que o absurdo não está nem no homem e nem no mundo, mas sim na relação do homem com o mundo. Citar o autor de o O mito de Sísifo em uma crítica para um programa onde quase nenhuma das participantes deve conhecê-lo é o melhor paradoxo que encontrei pra escrever sobre o que vimos na estréia de ontem à noite: o reality “Mulheres Ricas”, na Band. Talvez qualquer passagem dos livros de Narcisa Tamborindeguy fosse mais cabível aqui.

    O néctar do reality foi um amontoado de cenas que causavam estranheza, um pouco de enjôo, vergonha alheia e muitas situações que beiravam o absurdo, mas que por via das dúvidas, resolvemos levar como humor. “Mulheres Ricas” provocou boas risadas. Afinal não é todo dia que temos a oportunidade de ver na televisão uma mulher loira e alta, muito rica, comprando um avião de R$ 30 milhões, como quem compra um pedaço de carne no açougue. Val Machiori deve ganhar logo o posto da mais odiada das participantes. Além de ser a mais forçada, a história de que saiu do nada para a fortuna não emplacou. O programa ainda conta com Brunete Fraccaroli, uma arquiteta deslumbrada que queria ter sido a boneca Barbie, a ex-semterra-playboy-fantasia Débora Rodrigues, e a empresária Lydia Sayeg, que sufoca a filha com seus caprichos. E lógico, toda a loucura carismática da figura Narcisa Tamborindeguy.

    O reality é ótimo, é um acerto da Band. Choca, causa polêmica, faz rir, é entretenimento puro. Fora que no fundo todos nós adoramos um pouco do luxo, mexe com o imaginário do telespectador. A direção podia ter evitado algumas cenas que causaram constrangimento, como o telefonema de Val para o marido sobre o preço do novo avião ou a cena do filho de Débora Rodrigues sendo acordado pela mãe.  Ficou claro que não tinha marido do outro lado da linha e que o menino não estava dormindo coisa nenhuma. É uma derrapada que quebra a empatia do público com o programa: “Opa isso é falso, é armado!”.  

    “Mulheres Ricas” é uma mistura de tudo, tem luxo e lixo. Nada despretensioso, mas pode acabar virando opção para muitos desavisados nestas férias, que vão trocar para a Band nas noites de segunda-feira em busca do CQC. O programa assim como o cartão de crédito de suas participantes pode tudo, pode virar fenômeno, pode afundar, pode manter, mas não passa batido, e a Band começa o  ano acertando!

  • 16/12/2011 às 10:02h

    Esperto é o Sílvio Santos!

    Sucesso de reprises como "Marimar" é um alerta para um futuro preocupante!

    Somos uma nação de saudosistas! Principalmente quando o assunto é televisão. A prova esta aí, todas as tardes na Globo, no SBT, no Viva e até na Record que pra não ficar atrás, já entrou na dança também. Estou falando de reprises. As infindáveis reprises. Quando o assunto é este, o SBT sai na frente de qualquer outra emissora, em TV aberta pelo menos. Não importa se você tem 35, 25 ou 15 anos, todas gerações já passaram pela repetição em massa de “Chaves”, “Chapolin”, e novelas mexicanas. A bola da vez é “Marimar”, da época de ouro das novelas mexicanas com a cinturinha de Thalía.

    Reprises são boas, não é a toa que o Viva, nos canais fechados, faz o maior sucesso. É até saudável ter uma opção na TV paga que só passa reprises. O problema é quando isso vira norte, rumo na TV aberta, que luta por uma sobrevivência todos os dias nesse novo mundo de plataformas diferentes. O que eu to querendo dizer é que é ótimo ver uma novela boa no “Vale a pena ver de novo”, ou um episódio engraçado do “Chaves”, ou qualquer outra coisa do gênero. O que não pode acontecer é isso virar regra. E mais, virar regra de sucesso. Sim, porque “Marimar” anda deixando o SBT na liderança muitas vezes, e quando não, já cumpre o objetivo de fazer a emissora roubar o 2º lugar da Record.

    Se você chegasse para alguém que não conhece os telespectadores brasileiros, que não acompanha os brasileiros nas redes sociais, e dissesse: em um mesmo horário temos três tipos de programas, um programa lançado recentemente, que conta histórias de vida das pessoas, uma sessão de filmes antigos, e uma reprise de novela mexicana, qual você acha que faz mais sucesso? Não vamos discutir aqui o mérito de qualidade de “Marcas da Vida” da Record, que era péssimo, mas que querendo ou não, era conteúdo novo, produzido atualmente, era dinheiro investido em roteiristas, diretores, câmeras, atores, etc… Silvio Santos já pagou “Marimar”, e de lá pra cá só vem lucrando. Não cria, não produz, não inventa.

    Esperto é o patrão com certeza, que mesmo já tendo feito muita coisa pela televisão brasileira, nos seus derradeiros anos ainda manda o recado com o sucesso destas reprises. O Brasil se preocupou em fazer uma televisão de grandes proporções, mas esqueceu de formar telespectadores melhores. O saudosismo é saudável, mas a insensatez de barrar tudo que é novo, é preocupante. Se eu e você não mudarmos alguma coisa nisso tudo, em 2020 ainda seremos um país que faz biquinho para qualquer atração fora do eixo, e prefere rir da pedra de isopor do Chapolin Colorado. 

  • 08/12/2011 às 13:03h

    A Globo resolveu sacudir a poeira!

    Na semana em que Fátima Bernardes deixou a bancada do “Jornal Nacional” e a Globo divulgou o fim da “TV Globinho&rd...

    Na semana em que Fátima Bernardes deixou a bancada do “Jornal Nacional” e a Globo divulgou o fim da “TV Globinho” em 2012, uma das grades mais inflexíveis e apertadas da televisão aberta brasileira, finalmente mudou. A Rede Globo e a sua programação, como bem disse o jornalista Rodrigo Viana, é um transatlântico que se move lentamente, todo movimento e direção são milimetricamente calculados antes de serem executados. Mudar uma grade que até então pode ser considerada sucesso não é tarefa fácil. Mas é tarefa necessária. Por mais que ainda mantenha a liderança, a Globo sofre com perdas pontuais na audiência que acabam derrubando ou então atrapalhando o desempenho de outras atrações que tinham tudo para dar certo.

    As manhãs da emissora viraram um problema já há alguns anos.  Nesse quesito a Rede Record tem uma programação adulta muito melhor e mais atrativa, com o “Fala Brasil” e o “Hoje em Dia”. Para as crianças, o SBT tem tradição nesse assunto. A Globo ficava no meio do caminho, um pouco perdida entre os dois públicos e a queda foi inevitável. Ana Maria Braga nunca foi o problema, talvez a solução. O problema é não deixar ela ser o que  sempre foi: uma amiga da dona de casa na televisão. Se os livros e revistas de Ana Maria ainda são um sucesso editorial, é porque lá está a sua essência. O “Mais Você” virou uma outra atração, em que restou de sua origem apenas a Ana, o Louro José e a receita diária. É preciso evoluir, mas sem perder as raízes.

    O “Bem Estar” ainda é muito recente, uma linguagem muito nova, e fala de assuntos até então muito distantes do público. Precisa de tempo para o público digerir. Acabar com o programa seria um desperdício de tempo e energia. Já a “TV Globinho” vem procurando sua identidade desde sempre. Passou por todos os tipos de linguagens e apresentadores. Os desenhos, que sempre foram o forte da Globo, já não agradam mais. É realmente um problema, que ninguém na emissora parecia ter vontade para mudar. A substituição pelo novo programa de Fátima Bernardes é mais do que acertada.

    Falar aqui das manhãs da Globo é só um exemplo recente e que finalmente entrou em discussão na emissora. Vários outros pontos fracos atrapalham a grade, como “Malhação”, “TV Xuxa” e os domingos. Assim como a Record, o SBT e a Band também possuem uma grade que ajustada daria melhores resultados. É um assunto difícil de criticar e muito mais difícil de fazer. Envolve o trabalho de profissionais respeitados que fazem o melhor para o público, mas que  nem sempre dá certo. O maior mérito desta recente mudança na Globo é a abertura para o debate, para as mudanças e para a transformação. A emissora líder resolveu sacudir a poeira, as outras que façam o mesmo. 

     

  • 28/11/2011 às 13:50h

    A lição de Boni: o popular bem feito!

    Em entrevista para a Globo News o homem que já foi o todo poderoso da Globo fala sobre o passado e futuro da televisão.

    No último sábado, em entrevista ao repórter Geneton Moraes Neto, no ótimo programa Globo News Dossiê, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, disse que o maior desafio de quem faz televisão é fazer o popular bem feito. O velho dilema de que ou se faz algo muito bom que não é sucesso, ou se faz algo popularesco e sem qualidade. Velho dilema, porque até hoje a televisão vive nessa dicotomia, embora o show de horrores de alguns anos atrás não exista mais, ainda temos uma audiência que se alimenta muitas vezes do sensacionalismo, da degradação humana ou do assistencialismo barato.

    A entrevista de Boni deixou claro que na verdade, todos que fazem televisão hoje estão pouco atentos ao passado e com um pensamento muito ramificado para o futuro. Pensa-se em todas as plataformas que a televisão estará presente em alguns anos, e esquece-se do conteúdo. Conteúdo que ficou claro quando ele listou as 10 principais novelas das 21h. Na opinião dele, “Roque Santeiro” estava em primeiro lugar na sua lista, mas o próprio só chamou de obra-prima “Vale Tudo”. Querendo ou não um dos momentos mais inspirados da carreira de muita gente que fez a novela: de Gilberto Braga até Glória Pires, passando por Daniel Filho, Aguinaldo Silva e Regina Duarte.

    A “Era Boni” na Globo acabou. A televisão hoje é muito maior e enfrenta muito mais concorrência pra seguir as ordens de apenas uma pessoa. A figura do “todo poderoso” entrará para a história junto com Boni. Mas existe uma lição a se tirar do trabalho dessa figura que ajudou a moldar a televisão brasileira: a eterna busca de qualidade. E qualidade é uma via de mão dupla. Emissoras são empresas, que visam o lucro, e o lucro é medido pela audiência. E audiência só se ganha ou perde, quando lembramos de usar o controle remoto ao lado. O caminho para o popular bem feito passa por dentro da sua casa. E já passou da hora de cada telespectador criar o seu próprio padrão de qualidade. 

  • 16/11/2011 às 16:26h

    Os fieis escudeiros de Aguinaldo Silva

    Crô Valério faz parte de uma linhagem de personagens muito usada pelo autor.

    Crô Valério (Marcelo Serrado) foi o grande hit de “Fina Estampa” na semana que passou. A interpretação cada vez mais precisa e inspirada tem feito de Crô um dos melhores tipos criados por Aguinaldo Silva para esta novela.

    Mas não é de hoje que o autor recorre ao relacionamento de fidelidade entre patroas e empregados. Todos guardam as mesmas características: veneram a patroa, geralmente mulheres de personalidade forte, e são extremamente fiéis às suas “Rainhas do Nilo”.

     

    Em “A Indomada” (1997), a Juíza Mirandinha, interpretada por Betty Faria, vivia em pé de guerra com o prefeito Pitiguari (Paulo Betti), e contava com seu eficiente secretário Egídio para colocar toda Greenville “nos rigores da lei”. Vivido por Licurgo Spíndola, Egídio além de um funcionário prestativo e tímido, nutria uma paixão platônica pela juíza. No final da novela, os dois acabam juntos.

     

    Já em “Suave Veneno” (1999), embora não tenhamos a figura da patroa, era impossível deixar Uálber e Edilberto fora desta lista. O vidente interpretado por Diogo Vilela era totalmente do bem, mas vivia se metendo em confusão para combater Marcelo Barone (Fúlvio Stefanini) que era a personificação do demônio. Ao seu lado na luta, Luis Carlos Tourinho, o eterno Piu Piu, é quem dava vida para Edilberto, que vivia tropeçando e soltando seu bordão “Abalou Bangu!”.

     

    Em “Porto dos Milagres” (2001), a perua da vez de Aguinaldo era a fogosa Amapola, de Zezé Polessa. Com seus cabelos vermelhos, o núcleo foi um grande sucesso. Desmedida e sem pudores, a perua também não aprovava o romance do filho Alfredo Henrique (Miguel Thiré) com uma filha de pescadores (Barbara Borges). Amapola era patroa de Venâncio, o primeiro grande destaque de Tadeu Mello na televisão. Com sua voz inconfundível e o sotaque nordestino, Venâncio fazia o público rir cada vez que soltava o sonoro e estridente “Madame”.

     

    Nesta mesma novela, um outro faz tudo, só que sem afetações, dava conta das maldades de sua patroa. A inesquecível Adma (Cássia Kiss), tinha como cúmplice dos seus crimes o capataz Eriberto (José de Abreu). Além do respeito e fidelidade, o capanga também era o amante apaixonado da vilã que matava todos com o veneno no anel.

     

    No sucessão “Senhora do Destino”, também não faltaram fieis escudeiros. Glória Menezes tinha nas mãos uma personagem muito importante, Laura, a Baronesa de Bonsucesso, seria a responsável por uma das tramas paralelas mais importantes da novela, que iria falar da doença de Alzheimer. Com o afastamento de Raul Cortez por problemas de saúde, o mordomo Alfred (Ítalo Rossi) ganhou destaque na novela, e passou a ser o grande parceiro de cena de Glória Menezes. Alfred era um legítimo mordomo inglês, que usou de toda dedicação e carinho para cuidar da Baronesa.

    Da zona sul para a baixada fluminense, Ubiracy (Luiz Henrique Nogueira), o carnavalesco da Unidos de Vila São Miguel, tinha como musa inspiradora Nalva (Tânia Khalil). Ubiracy fazia de tudo por Nalva, que era apaixonada pelo marido do irmão (Leonardo Vieira). Durante a novela o personagem foi crescendo, e garantindo boas e engraçadas cenas ao lado de Giovanni Improtta (José Wilker). 

  • 10/11/2011 às 12:48h

    A ousadia elegante do “Viva Voz”

    Programa de Sarah Oliveira no GNT, é ótima opção para o final das noites de quarta-feira.

      Quem não gosta de uma boa história de bastidores que atire a primeira pedra. Todos nós, vez ou outra, uns mais outros menos, somos ávidos pela vida alheia; ainda mais se for a de uma pessoa famosa. Não é à toa que há muito tempo consumimos entrevistas, sejam elas na televisão, no jornal, na revista, na rádio ou na internet. O desejo de conhecer o que está por trás daquela pessoa que faz sucesso é como um atenuante do glamour, a gente chama o famoso para perto, fica íntimo. É como se todos nós sentássemos num enorme e comunitário sofá da Hebe.

    O problema é que até então, conhecer um artista através de uma entrevista era algo feito de apenas dois pontos de vista; ou do entrevistador ou do entrevistado. O primeiro faz uma pesquisa prévia, disseca a carreira, e busca os pontos que acredita que vão render uma boa conversa. O segundo já vai preparado, incorporado em outro personagem que não ele mesmo, controlado para ser politicamente correto, engraçado, simpático e ainda divulgar o seu mais recente trabalho. Querendo ou não é um formato engessado, rígido. Fica aquela sensação de que faltou alguma coisa. Ficava. Se você quer realmente ver um programa que mostre o lado B de uma celebridade, não pode perder o “Viva Voz” com a Sarah Oliveira, toda quarta-feira, no GNT.

    No programa, Sarah inverte o olhar. É um verdadeiro jogo de espelhos. O povo nas locações (muito criativas por sinal) fala como aquele artista se comportaria em tal situação, o artista vê o seu reflexo na sociedade, e tem a possibilidade de dizer se a imagem está ou não distorcida. A própria apresentadora também entra pontualmente com suas opiniões. E o telespectador em casa, fica brincando no jogo dos acertos. São muitas visões particulares de uma pessoa pública. E isso é tão libertador, tão novo e ao mesmo tempo casual. Os convidados sempre escolhidos a dedo, a simpatia de Sarah e o tempo curtíssimo de duração se completam. É entretenimento puro.

    No último episódio, uma lojista ao falar das famosas minissaias de Wanderléa, disse que a cantora não tinha culpa se esta peça de vestuário tinha tornado-se vulgar, e a ternurinha concordou:  Sempre procurei ousar, mas de forma elegante. E é isso que mostra o “Viva Voz”, a intimidade com limites, sacia a curiosidade, mas não intoxica.