
Divulgação/Rede Record
Lauro César Muniz fez a parte dele. O experiente autor entregou para a Record um bom texto para a emissora produzir. “Máscaras”, que estreou ontem, é repleta de nuances, já mostrou logo no começo uma personagem marcante e pareceu original. A novela não teve um primeiro capítulo convencional, geralmente usado para apresentar a trama e os personagens. Muito pelo contrário, a história já foi acontecendo e terminou com um bom gancho.
O maior problema da estreia foi justamente o ritmo. Culpa muito mais da direção e da edição do que do autor e elenco. Em um capítulo onde toda ação se concentrou em um núcleo, ficaram faltando belas imagens, paisagens, uma construção melhor dos flashbacks, uma trilha sonora mais marcante. Ignácio Coqueiro faz uma direção muito crua, corta as cenas abruptamente, e a novela toda fica com cara de antiga, anos 80. Isso pode ser bom para alguns, mas é um perigo que os diretores acreditem que voltar ao passado é questão de estilo.
Pouco se viu de todo o elenco que fará “Máscaras”, mas Miriam Freeland foi o grande destaque da estreia. A atriz estava tão bem, que no final do capítulo você de alguma forma já estava envolvido com a história da Maria. Fernando Pavão, quem diria, também não decepcionou, segurou bem a carga do protagonista. Heitor Martinez e Giselle Itié não mostraram química suficiente para um casal de vilões, mas também se viu pouco dos dois. Já Daniela Galli e Karen Junqueira quebravam a evolução do capítulo toda vez que apareciam para recitar de forma chata um texto didático sobre DPP (Depressão Pós-Parto).
“Máscaras” teve um primeiro capítulo ascendente. Começou devagar e triste e terminou bom. Isso é um ponto a favor, porque tem muita história ainda para acontecer. Se essa tendência de melhora persistir será mais uma grande novela de Lauro César Muniz e da Record. A emissora ainda precisa acertar muito a questão de iluminação e som. O uso do chroma key também deixou a desejar. Detalhes técnicos que fazem toda a diferença para quem quer brigar de frente com a Globo. No balanço final, a Rede Record mais acertou do que errou no começo da novela. Estão com uma pedra preciosa nas mãos, tomara que saibam aproveitar.





















