Telehistória: O Jornalismo; há censura? Até que ponto a informação pode interferir em nossa sociedade? Veja
Telehistória de hoje traz aos leitores algumas curiosidades.
O telehistória de hoje vai contar um pouco sobre a história do jornalismo atual no País. Você, caro leitor, sabia que cada emissora de TV é obrigada a inserir em sua programação 5% de jornalismo?
É, pois é, não tem jeito. Ainda que uma emissora desejasse não ter telejornais, não poderia. É lei e deve ser cumprida. O Canal 21, por exemplo, vende 95% de sua programação para a Igreja Mundial. Os 5% restantes são de jornalismo.
A começar pela Globo, a programação telejornalística ocupa cerca de 6 horas por dia na grade de segunda a sexta. O canal prioriza o jornalismo de segmento prestativo, aquele que informa e procura soluções para o cidadão; o “Jornal Nacional” é o telejornal de maior audiência nacional.
A Record disponibiliza cerca de 9 horas de sua programação diária para o jornalismo. Além do jornalismo prestativo, a emissora investe em programas popularescos, policiais, que tem tendência maior ao entretenimento à prestação de serviços. A emissora se consolidou no ramo jornalístico com o seu tradicional “Jornal da Record” e ganha também grande visibilidade com o popular “Balanço Geral”.
O SBT sempre foi mal visto pelo pouco investimento no setor jornalístico. Isso mudou. A emissora tem, atualmente, 4 telejornais a nível nacional com segmento tradicional. Suas filiadas, entretanto, também investem em jornais populares, como a regional do Rio de Janeiro, com o “SBT Rio”.
A Band é conhecida pelos seus telejornais amplamente tradicionais. O “Jornal da Band” é um dos mais elitizados e apreciados pelas classes mais altas da sociedade; o “Jornal da Noite”, de Bóris Casoy também. A Rede TV! também ganha destaque com o seu “Rede TV! News”, que obtém excelentes índices de audiência.

Entrevistamos para esta matéria o crítico do RD1 João Paulo Dell Santo. Ele vai nos dizer, com opiniões pessoais, seu pensamento quanto a algumas questões. Veja a seguir:
Ricardo: João, a começar pela Globo, observamos que, atualmente, houve uma mudança na linha editorial de muitos telejornais. O “Jornal Nacional”, por exemplo, deixou de ser corrido e passou a adotar uma linguagem informal e mais leve. O “Jornal da Record” também passou por mudanças. Você encara essas alterações na editoria como uma transformação positiva ou negativa? Na sua opinião, essas modificações são necessárias? O hábito do brasileiro mudou?
João: Toda mudança é bem vinda. Afinal, hoje mais ainda, inovar é preciso. São sim muito importantes essas tranformações, porque o Brasil de hoje não é o de 69, quando o JN foi lançado. O telespectador cansou de ver robôs lendo TP [teleprompter - aparelho que auxilia os apresentadores na leitura das matérias], ele quer se sentir parte da notícia, da informação. O hábito do brasileiro mudou, e ai da midia se não evoluir junto.
Ricardo: Você acha que emissoras de televisão utilizam do poder que elas têm para manipular alguma informação?
João: Óbvio. Existe um jogo sujo cada vez mais claro. Utilizam dos plenos poderes que exercem sobre alguns gatos pingados do Congresso Nacional pra usar de troca de favores. Não adianta apontar o dedo pra um grupo só e ignorar o outro. Hoje as emissoras ou grupos de midia funcionam como partidos, têm lá na terra da pizza seus representantes, prontos para agir.
Ricardo: A ética é um fator crucial para quem lida com jornalismo. Alguns programas que exploram a desgraça alheia para conseguir audiência, são alvos de críticas negativas por grande parte da mídia especializada. Qual o seu pensamento em relação a isso? Programas sensacionalistas são válidos? Servem como prestação de serviço? É deserviço? Argumente sobre.
João: É o mundo cão no mais amplo significado. Abusam das desgraças e tragédias com a desculpinha que estão prestando o serviço à sociedade. A TV brasileira anda imunda ultimamente, cheira a podre e sangra, onde chegamos ein? Têm suas exceções. Temos o bom jornalismo, e o jornalismo cão, aquele que o aproveitamento próprio vem em primeiro.
Ricardo: TV é um veículo de massa. O que é levado ao ar gera repercussão. E muita repercussão. Uma informação dada errada pode prejudicar muita gente física e jurídica, também. Você acha que a informação equivocada é capaz de colocar um na cadeia? Que cuidados são necessários para a apuração da notícia, constatação de veracidade e divulgação?
João: Claro, uma informação errada move montanhas de tal forma que deixaria o Maomé do ditado com ciúmes. Apurar a veracidade dos fatos, checar novamente, abrir espaço para ambas as partes, discorrer o assunto de forma imparcial, sem julgar A ou B de forma premeditada, e após todos esses processos, divulgar a informação estando ciente que reações adversas surgirão, são passos comuns a se trilhar. Lembre-se, uma palavra dita, mesmo que seja ao vento, encontrará seu alvo.
Ricardo: Ainda que a ditadura tenha terminado há anos, emissoras de televisão ainda sofrem com a censura de informações?
João: Infelizmente, sim. Os acordos, anteriormente citados, entre os “pizzaiolos” e os manda-chuvas da mídia, inibem alguns assuntos de serem tratados neste ou naquele veículo de comunicação. Seria uma auto-censura descarada. Fora isso, temos a tal da Classificação Indicativa, aquele coisinha mascarada de regrinhas sem pé nem cabeça. Quer censura pior que isso Que os congressistas cuidem de suas obrigações, aque, aliás, não são poucas, e deixem o conteúdo da TV para quem entende. Se papai e mamãe acham q filhinho não pode ver tal programa, o tire da frente da TV ou mude de canal. A promiscuidade maior tem chapa e legenda.

Ricardo: Você já foi censurado alguma vez?
João: Claro que sim. Não aceito, pode ter a mão de quem for por trás. Vão pôr coleira em outro. Não se deve aceitar isso. Quem já foi, pula fora. Porque será uma forma de contribuir com esse câncer que ainda é latente. Sempre usei desta frase quando este foi o assunto: “Garantam os vossos empregos que eu garanto a minha dignidade”
Ricardo: Idem pra mim. Numa dessas, tirei meu time de campo e assinei com o RD1 [ainda que não seja televisivo, o RD1 está no segmento de jornalismo também].
- João, obrigado pela rápida entrevista. Sua opinião e conhecimento, com certeza, contribuiu e muito para esta matéria.
João: Eu que agradeço, Ricardo. Estou à disposição.
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